Tarifaço dos EUA atinge setor eletroeletrônico brasileiro
Segundo a Abinee, setor pede apoio do governo brasileiro e manutenção das negociações com os Estados Unidos.

A tarifa adicional de 25% imposta pelo governo dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros atingirá 90,9% do valor exportado pela indústria elétrica e eletrônica brasileira ao mercado norte-americano. Os dados foram apresentados pela Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee) durante reunião com representantes do governo federal para discutir os impactos da medida e possíveis ações de mitigação.
Segundo a entidade, os Estados Unidos responderam por 26% das exportações do setor em 2025, reforçando a importância do mercado norte-americano para a indústria brasileira. Nos últimos cinco anos, as vendas de bens elétricos e eletrônicos para os EUA cresceram 80%.
Em 2025, a balança comercial do setor registrou superávit de US$ 2,7 bilhões em favor dos Estados Unidos.
Tarifas afetam principal mercado externo do setor
A reunião contou com a participação do presidente-executivo da Abinee, Humberto Barbato, do secretário-executivo do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Márcio Elias Rosa, além de representantes dos ministérios da Fazenda e das Relações Exteriores.
Durante o encontro, a entidade defendeu que o governo brasileiro mantenha as negociações com os Estados Unidos e adote medidas imediatas para preservar a competitividade das empresas brasileiras no mercado internacional.
Segundo Barbato, a Abinee não considera adequada a adoção de medidas de retaliação neste momento. “São injustificáveis as tarifas de 25% contra nossos produtos, afinal, em 2025, o setor registrou superávit comercial de US$ 2,7 bilhões em favor dos Estados Unidos. Ainda assim, os EUA continuam sendo um mercado muito importante para o nosso setor”, afirmou.
O executivo ainda destacou ainda que, apenas nos últimos cinco anos, as exportações do setor para os Estados Unidos cresceram 80%, evidenciando a relevância do país como destino dos produtos brasileiros.
Redirecionamento das exportações é complexo
A entidade alertou que o redirecionamento dos volumes atualmente destinados ao mercado norte-americano apresenta elevada complexidade técnica e comercial.
Muitos equipamentos da indústria elétrica e eletrônica são desenvolvidos para atender normas técnicas, regulamentações e especificações próprias de cada mercado, o que dificulta sua comercialização em outros países no curto prazo.
“Muitos equipamentos do setor possuem características técnicas fortemente associadas às normas, regulamentações e especificações próprias de cada mercado, o que torna difícil vender estes bens em outros países”, afirmou Barbato.
Entre as medidas apresentadas ao governo federal, foi proposta a ampliação dos programas de apoio às exportações, incluindo linhas de crédito, garantias e seguros de exportação.
A Abinee também defendeu o fortalecimento das ações de promoção comercial e da abertura de mercados alternativos para os produtos brasileiros, como forma de reduzir os impactos das novas tarifas sobre as exportações do setor.




