Receitas além de telecom já são 19% do total da Vivo

Percentual combina serviços digitais, novos negócios, smartphones e eletrônicos; operadora prepara novas ofertas e projetos com IA

crescimento vivo

As receitas da Vivo provenientes de serviços digitais, novos negócios, smartphones e eletrônicos já representam aproximadamente 19% do faturamento total da operadora. O percentual foi informado por Christian Gebara, presidente da empresa, durante entrevista coletiva sobre os resultados do segundo trimestre de 2026.

A conta reúne os 12,2% da receita obtidos com novos negócios e serviços digitais nos últimos 12 meses e o faturamento com a venda de aparelhos e outros dispositivos.

Somente a receita com aparelhos e eletrônicos chegou a R$ 1 bilhão no segundo trimestre, crescimento anual de 27,8%. Os smartphones compatíveis com 5G responderam por 98,8% das vendas de aparelhos no período.

No mercado corporativo, cloud, cibersegurança, big data, IoT, mensageria e serviços de TI geraram R$ 5,5 bilhões nos últimos 12 meses, avanço de 14,9%. Esse conjunto respondeu por 8,8% do faturamento total da Vivo.

Os serviços digitais destinados ao consumidor final representaram os 3,4 pontos percentuais restantes da participação de 12,2%. Entre eles estão entretenimento, serviços financeiros, seguros, saúde e bem-estar.

IA como produto

A Vivo pretende utilizar sua base de clientes e seus canais de venda para distribuir diferentes serviços de inteligência artificial. A estratégia busca reproduzir o modelo usado com plataformas de vídeo e música.

Nos últimos 12 meses, o negócio de entretenimento gerou R$ 890 milhões, crescimento de 25,7%, com 4,9 milhões de assinantes. Os clientes contratam pela Vivo serviços como Netflix, Globoplay e outras plataformas, que são cobrados juntamente com os produtos da operadora.

“A gente enxerga que a Vivo vai ser, como ela foi no OTT de vídeo, uma forma de distribuição também dessas estruturas de inteligência artificial”, afirmou Gebara.

Uma parceria com o Gemini recém anunciada prevê a oferta gratuita do serviço por um período de seis a 12 meses, dependendo do perfil do cliente. Após essa etapa, a assinatura poderá ser faturada pela Vivo. Nesse modelo, a operadora reconhece a receita da venda e repassa ao fornecedor a parcela estabelecida no acordo.

Gebara afirmou que a operação tem margem positiva, mas não detalhou os valores nem as condições comerciais. A Vivo também adotou modelo semelhante com a Adobe, que oferece recursos baseados em IA, e pretende acrescentar outras plataformas ao portfólio.

A companhia não planeja trabalhar exclusivamente com um fornecedor. A intenção é funcionar como um ponto único de contratação de diferentes ferramentas, seguindo o modelo já usado no entretenimento.

Uso interno e agentes no call center

No uso interno, Gebara afirmou que a Vivo ainda está no começo da jornada de inteligência artificial e investe mais do que recupera financeiramente. A companhia não divulgou um número consolidado de ganhos ou redução de custos obtidos com a tecnologia.

Segundo o executivo, a adoção está sendo acompanhada pelo comitê de direção, inclusive na distribuição de licenças e na escolha dos processos em que a IA será aplicada. Ele afirmou que a empresa utiliza as ferramentas de forma controlada e busca retorno sobre os gastos com tokens.

“Nós não estamos sofrendo ressaca, porque talvez não tenhamos sido tão agressivos como alguns exemplos que ocorreram fora do Brasil”, declarou. Para Gebara, a adoção exige a revisão dos processos, e não apenas a inclusão de uma ferramenta de IA nas atividades existentes.

A Vivo pretende iniciar, em setembro, um piloto mais amplo com agentes de inteligência artificial nos call centers. O desenho apresentado prevê um agente para receber a ligação e outros três tipos de agentes especializados, que atuarão conforme a necessidade do atendimento.

Sobre o impacto da IA no tráfego das redes, Gebara disse que a operadora ainda não identificou um efeito diferente daquele observado no uso de redes sociais ou plataformas de vídeo. O executivo ressaltou que a utilização pelos clientes ainda é limitada e que parte do processamento ocorre nos data centers dos provedores.

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Rafael Bucco

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