TIM amplia diversificação com fibra, IA e serviços digitais
Operadora busca crescer em banda larga e B2B e prepara novas receitas com entretenimento, inteligência artificial, APIs e serviços financeiros

A TIM pretende ampliar o peso da banda larga fixa, do mercado corporativo e dos serviços digitais em sua receita. A estratégia inclui a integração da I-Systems, o uso da rede da V.tal, ofertas convergentes, TIM Play, inteligência artificial, serviços financeiros e a expansão das APIs do Open Gateway.
No segundo trimestre de 2026, a receita líquida de serviços da operadora chegou a R$ 6,785 bilhões, crescimento anual de 5,7%. Os serviços móveis ainda responderam por R$ 6,369 bilhões, mas a companhia apontou banda larga e B2B como duas de suas principais avenidas de crescimento.
Segundo a TIM, o B2B representa aproximadamente 6,6% de sua receita, enquanto a banda larga responde por cerca de 5%. “Temos um primeiro objetivo, que é fazer crescer a banda larga e fazer crescer o B2B”, afirmou o CEO da TIM Brasil, Alberto Griselli.
Banda larga e I-Systems
A receita líquida de serviços fixos cresceu 27% na comparação anual e alcançou R$ 416 milhões. Desse total, R$ 247 milhões vieram da TIM Ultrafibra, avanço de 9,5%.
A base da Ultrafibra encerrou o trimestre próxima de 900 mil clientes, alta anual de 12,5%, com praticamente todos os acessos em FTTH. O ARPU ficou em R$ 93,40, recuo de 2,3% em relação ao mesmo trimestre de 2025.
A TIM atribui parte da mudança de estratégia à (re)aquisição da I-Systems. Segundo Griselli, o controle de parte da infraestrutura proporciona maior flexibilidade comercial e técnica para combinar banda larga e telefonia móvel.
“A posse da rede nos dá flexibilidade comercial e técnica, do ponto de vista de qualidade de serviço, para ter um trade-off mais simples em combinar os produtos”, afirmou.
A operadora também utiliza a infraestrutura da V.tal. Considerando as redes da I-Systems e da V.tal sobre as quais já comercializa serviços, a TIM afirmou ter acesso a uma área com 24 milhões de domicílios passados com fibra.
A prioridade, portanto, não será ampliar rapidamente esse número. “Não tem uma necessidade de aumentar, do nosso lado, o número de homes passed, pois nós já temos acesso a 24 milhões”, disse Griselli. “O objetivo é aumentar agora o take-up nessas redes que a gente utiliza.”
Convergência e TIM Play
A estratégia de convergência avançou com o TIM Ultracombo, que reúne serviços móveis, banda larga fixa e entretenimento. Uma das opções combina Ultrafibra de 600 Mbps, TIM Black com 70 GB e assinatura de streaming por R$ 149,99 mensais.
A companhia também lançou o TIM Play, plataforma de agregação de vídeo e música com pacotes a partir de R$ 9,90. O serviço pode incluir canais de televisão e bibliotecas de filmes e séries, além da contratação avulsa de plataformas como Disney+, Netflix, HBO Max, Globoplay, Paramount+ e Deezer.
Griselli afirmou que o TIM Play busca produzir receita adicional e oferecer conveniência aos clientes. “É um novo jeito de go-to-market da nossa proposta de valor de entretenimento, que estamos reformulando para dar um benefício melhor para o cliente e criar também uma oportunidade de monetização para nós.”
A TIM também ampliou a parceria com o PicPay. A primeira iniciativa oferece crédito aos clientes que abrirem uma conta da instituição financeira em lojas da operadora. O modelo prevê remuneração da TIM pela distribuição dos produtos do parceiro.
IA nos planos
A companhia confirmou que estuda incorporar ferramentas de inteligência artificial às ofertas para consumidores. A decisão, porém, dependerá de um modelo capaz de produzir receita para a operadora.
“A inteligência artificial veio para ficar, mas temos que achar um jeito de colocá-la com um sistema que dê valor para o cliente e dê valor para nós também”, afirmou Savério Demaria, VP de B2C.
Ele citou como contraponto o modelo adotado anteriormente com aplicativos e serviços digitais que passaram a integrar os planos sem gerar receita direta. “Imagina o que aconteceu com o WhatsApp. Era um negócio que veio para ficar e, infelizmente, nós não conseguimos monetizar esse modelo.”
Enquanto planos com ferramentas parcerias não entram no portfólio, a IA já vem sendo usada internamente. Um agente de cobrança interagiu com mais de 2 milhões de clientes e elevou em 7 pontos percentuais o índice de recuperação de crédito. A tecnologia orienta pagamentos, esclarece dúvidas e auxilia na negociação de débitos por canais digitais.
B2B, V8 e Open Gateway
No mercado corporativo, a receita de serviços, excluído o atacado, alcançou R$ 1,746 bilhão nos 12 meses encerrados em junho, alta anual de 16,6%. IoT, soluções baseadas em IA e redes privativas já representam mais de 20% da receita do segmento.
A aquisição da V8 acrescentou ao portfólio serviços de inteligência artificial, integração de nuvem e observabilidade. A empresa também firmou parceria com a Anthropic para desenvolver soluções corporativas baseadas no modelo Claude.
Outra frente é o Open Gateway. A TIM dispõe atualmente de sete APIs e pretende quase dobrar esse número até o final de 2026. A expansão será direcionada principalmente ao mercado B2B.




