Preço alto e incertezas afastam interessados na Oi Soluções. Leilão termina vazio.
Valuation de R$ 1,4 bi da Oi Soluções é considerado irrealista pelas empresas, que também viram alto risco em questões jurídicas e regulatórias nas quais o grupo Oi está imerso. Tele, gestor judicial e administrador judicial terão 5 dias para compor alternativas.

O leilão judicial da Oi Soluções aconteceu hoje, às 15h, e terminou vazio. Apesar de Claro, Vivo, TIM, V.tal e Sercomtel terem sido habilitadas, nenhuma das empresas se sentiu segura para apresentar lances, muito menos concordou com o preço mínimo de R$ 1,4 bilhão, o que levou o certame a receber o carimbo de “audiência frustrada” por parte da Justiça.
Segundo fontes ouvidas pelo Tele.Síntese, a juíza da recuperação judicial, Simone Chevrand, do TJ-RJ, deu prazo de 5 dias para que a Oi, o gestor judicial e a administração judicial se manifestem a respeito do que pode ser feito em seguida. Caberá à Oi trazer uma solução para a venda do ativo, caso ainda considere o negócio possível.
No mercado, a análise feita sobre o que levou ao desinteresse perpassa vários temas. O primeiro diz respeito ao valor atribuído à Oi Soluções. Segundo interlocutores, o preço mínimo de R$ 1,4 bi considerava o negócio no começo de 2025, além de um cenário otimista de expansão e continuidade dos contratos. No entanto, do ano passado para este, o que se viu foi um encolhimento mês a mês da carteira de clientes. “Se muito, o negócio vale metade do que foi proposto”, afirmou uma fonte. Esta ressalta que as receitas da operação caíram de R$ 140 milhões para R$ 60 milhões em um ano, o que deixou o valuation irrealista.
Outra fonte destaca o passivo jurídico por trás do negócio. Ainda em maio, os credores da Oi entraram com uma ação para reafirmar o compromisso assumido pela Oi Soluções de destinar 50% de suas receitas para a quitação de dívidas com os credores. A ação foi movida pelo UMB Bank, trustee dos credores, e embora não tenha sido julgada, deixou solta mais uma ponta jurídica à respeito do tema cessão fiduciária, prevista no acordo de recuperação judicial vigente desde 2023. Na prática, o contrato, que muitos reclamaram não terem visto em detalhes mesmo às vésperas do leilão, restringia a geração futura das receitas com os negócios em carteira assumidos.
Há relatos ainda de incertezas regulatórias. Por exemplo, há três meses a Oi vendeu a UPI STFC, de voz fixa, mas o negócio até agora não foi concluído apesar da pressa da operadora em receber o dinheiro. O tema tramita na Anatel, mas sem perspectiva da conclusão. Segundo interlocutores, a operadora não teria ainda se apresentado ao regulador para detalhar a transição – vale lembrar que a UPI STFC carrega obrigações assumidas perante o TCU relativas ao fim da concessão de telefonia fixa, uma vez que a empresa é a única a dispor de infraestrutura em milhares de localidades do Brasil.
Por fim, há temores relacionados à relação da Oi com a Anatel em função do resgate, obtido por via judicial em 2025, do dinheiro que serviria para a agência garantir a continuidade de serviços essenciais caso a operadora não conseguisse o soerguimento. O que se comenta nos bastidores é que a agência busca um acordo a este respeito antes de avalizar as transferências das UPIs STFC e da Oi Soluções (caso venha a ser vendida). E sem tal negociação, dificilmente deve autorizar que as transações sigam adiante.




