“Ericsson Brasil está contratando”, diz seu presidente

Matriz anunciou demissões de 8,5 mil pessoas no mundo, mas Rodrigo Dienstmann diz que realidade no Brasil é outra, com fábrica trabalhando a todo vapor e inclusive exportando para Ásia e EUA, além dos países vizinhos da América Latina.

A matriz da Ericsson na Suécia anunciou recentemente que vai demitir milhares de profissionais, mas os cortes não devem atingir a subsidiária brasileira que, ao contrário, está contratando. Há seleção aberta para ao menos 100 engenheiros, disse o presidente para o Cone Sul da América Latina, Rodrigo Dienstmann nesta terça-feira, 7.

Em coletiva de imprensa, o executivo afirmou que a unidade local da fabricante de equipamentos para redes móveis segue de vento em popa, depois de ampliações da linha fabril para aumentar a capacidade de vazão de rádios 5G.

“No ano passado, os resultados da unidade brasileira foram superpositivos, tanto em fornecimento para os operadores, como em exportação. Cerca de 40% do que produzimos foi exportado, inclusive para Ásia ou Estados Unidos, não apenas para os países aqui da região”, contou Dienstmann.

Em 24 de fevereiro, a matriz da companhia em Estocolmo anunciou o corte de 8,5 mil postos no mundo todo, mas não abriu quais países seriam os mais afetados. Segundo Dienstmann, o movimento não é inédito no mercado corporativo e faz parte de revisões periódicas da força de trabalho para alinhar a estrutura de produção à demanda.

Queda na demanda?

Em janeiro, a consultoria Dell’Oro soltou pesquisa afirmando que a demanda por equipamentos de rede 5G reduziria nos próximos 5 anos.

Dienstmann, porém, diz que o Brasil é ponto fora da curva. “Aqui, por política pública, as operadoras precisam manter os investimentos para ampliar a cobertura em 5G Standalone. Inclusive, no hemisfério Ocidental não existe país com três redes 5G Standalone em operação como acontece aqui. Nem nos EUA tem ainda esta situação”, ponderou.

Seja como for, a subsidiária brasileira segue os planos da matriz de ir além do fechamento de contratos com operadoras, e vem trabalhando para ampliar as vendas corporativas de redes privadas por meio de integradores. “Atuamos nos dois modelos, com as operadoras vendendo serviços de redes privadas, e com integradores”, observa.

APIs

Dienstmann comemorou o lançamento da iniciativa Open Gateway por operadoras móveis no MWC 23, ocorrido semana passada em Barcelona (Espanha). Lembrou que a Ericsson comprou a empresa Vonage, que atua como fornecedora da tecnologia em API para as operadoras, e também comercializa para desenvolvedores o acesso a tais APIs.

“Atendemos ambos, as operadoras e os desenvolvedores, sempre com a preocupação de ser um intermediário e não competir de forma alguma com as operadoras, nossos principais clientes”, observou. Atualmente, a Vonage tem 1 milhão de desenvolvedores cadastrados e 100 mil clientes.

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Rafael Bucco

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