Trabalhadores da Oi/Serede fazem manifestação por salários e verbas rescisórias atrasadas
Grupo reúne 68 ex-empregados e cobra pagamento de créditos trabalhistas; ato está marcado para 17 de junho, no Fórum da Rua Erasmo Braga, no Rio
Trabalhadores da Oi e da Serede organizam para esta quarta-feira, 17, uma manifestação no Fórum da Rua Erasmo Braga, no Centro do Rio de Janeiro, para cobrar o pagamento de salários e verbas rescisórias atrasadas. O ato está previsto para as 12h e foi batizado pelo grupo como “Luta pelo nosso direito”.

A mobilização foi organizada por Rodrigo Freire Santos Pacca, de 40 anos, Sidney Francisco do Nascimento, de 43 anos, e Leonardo Oliveira da Silva, de 39 anos. Segundo os organizadores, o grupo reúne 68 trabalhadores que afirmam aguardar o recebimento de créditos trabalhistas, inclusive verbas rescisórias relativas a 2025.
Nascimento afirma que parte dos trabalhadores está há anos tentando receber valores reconhecidos em ações judiciais. Segundo ele, há processos antigos, de 2015 e 2018, e demissões ocorridas em dezembro de 2025 sem pagamento das verbas devidas.
“Em dezembro de 2025, houve retaliação total, onde todos os trabalhadores que ainda existiam foram mandados embora sem receber absolutamente nada”, reclama Sidney.
O trabalhador relata que valores depositados judicialmente seguem sem liberação. “Eu estou com a primeira parcela de um depósito. A gente se encontra em uma fila. Em 5 de maio de 2025, a primeira parcela foi depositada e até hoje o meu dinheiro está lá”, afirmou.
Expectativa sobre venda de ativos
O advogado Robson Caetano, que representa os manifestantes, afirmou que os trabalhadores foram informados de que o pagamento dos créditos depende da existência de ativos no caixa da Oi. Segundo ele, a expectativa do grupo está ligada à liberação de recursos obtidos com a venda da participação da Oi na V.tal e também à possível entrada de recursos com a venda da Oi Soluções.
Caetano disse que os trabalhadores, familiares e credores trabalhistas decidiram organizar o ato para sensibilizar a juíza Simone Gastesi Chevrand, responsável pela recuperação judicial da Oi, e o juiz do trabalho Igor Araujo, que, segundo o advogado, deferiu arresto cautelar de cotas de crédito de investidores.
De acordo com o advogado, caso fosse encerrada a disputa judicial em torno de valores relacionados à venda da participação da Oi na V.tal, haveria expectativa de que parte dos recursos pudesse ser destinada ao pagamento do passivo trabalhista da Oi e da Serede.
Segundo os trabalhadores, a manifestação busca sensibilizar o Judiciário a fim de receberem pelo menos uma parte dos créditos com previsão de entrada no caixa da Oi em função da venda de ativos.
A Oi existe sob o status de empresa em recuperação judicial desde 2016, quando apresentou o primeiro pedido de proteção contra execuções. Desde então, vem alienando ativos para reforçar caixa e viabilizar pagamentos a credores. A venda da Oi Soluções é vista pelos manifestantes como uma das alternativas para gerar recursos que possam atender, ao menos parcialmente, o passivo trabalhista.


