Passivo de R$ 4,6 bilhões do Fistel permanece como principal risco para a TIM, diz Fitch
Agência reafirma rating AAA(bra) da TIM Brasil e da TIM, projeta crescimento do EBITDA até R$ 12 bilhões em 2027 e mantém perspectiva estável, mas acompanha disputa regulatória bilionária com a Anatel sobre a cobrança do Fistel.

A Fitch Ratings reafirmou nesta segunda-feira, 15, os ratings nacionais de longo prazo da TIM Brasil e de sua controlada operacional TIM em AAA(bra), mantendo perspectiva estável para ambas as companhias. Apesar da avaliação positiva sobre o desempenho operacional, a estrutura financeira e a geração de caixa da operadora, a agência destacou que a disputa envolvendo a cobrança do Fundo de Fiscalização das Telecomunicações (Fistel) segue como o principal fator de risco monitorado para a companhia.
Segundo a Fitch, o valor em discussão alcançou R$ 4,6 bilhões ao final do primeiro trimestre de 2026, conforme estimativa da Anatel. A agência observa que o processo judicial não possui prazo definido para conclusão e continua sendo uma incerteza relevante para o setor móvel.
Ainda assim, a avaliação é de que a TIM possui capacidade financeira para enfrentar um eventual desfecho desfavorável.
“A Fitch acredita que a TIM poderia administrar um resultado adverso utilizando sua sólida posição de caixa e acesso ao mercado de dívida, preservando liquidez e flexibilidade financeira ao longo do período”, afirma o relatório.
Nota máxima é mantida
A reafirmação do rating reflete, segundo a agência, a combinação entre forte posição competitiva no mercado brasileiro de telecomunicações, perfil financeiro conservador e elevada capacidade de geração de caixa.
A Fitch destaca que a TIM permanece como a terceira maior operadora móvel do país, atendendo aproximadamente 62 milhões de clientes móveis, responsáveis por mais de 90% da receita consolidada.
Além da operação móvel, a companhia possui cerca de 700 mil clientes de telefonia fixa e aproximadamente 880 mil acessos de banda larga residencial por fibra óptica, por meio da marca TIM UltraFibra.
A agência ressalta que a empresa não possui exposição ao mercado de TV por assinatura, segmento que continua pressionado pela migração dos consumidores para plataformas de streaming.
EBITDA deve crescer até R$ 12 bilhões
A expectativa da Fitch é de continuidade do crescimento operacional da companhia nos próximos anos. O EBITDA consolidado deverá alcançar aproximadamente R$ 11 bilhões em 2026 e R$ 12 bilhões em 2027, ante os R$ 10,3 bilhões registrados em 2025.
A projeção considera crescimento do ARPU, expansão dos serviços corporativos, evolução da base de banda larga fixa e aumento da participação de serviços digitais.
A agência também prevê manutenção de forte geração de caixa livre. O fluxo de caixa livre consolidado deverá superar R$ 2 bilhões por ano em 2026 e 2027, mesmo após investimentos anuais da ordem de R$ 4,4 bilhões a R$ 4,5 bilhões e distribuição de dividendos em níveis elevados.
Os cálculos da Fitch consideram payout próximo de 95%.
Mercado móvel continua crescendo
Na visão da agência, o mercado brasileiro de telecomunicações continuará apresentando crescimento moderado, porém consistente.
A expectativa é de expansão anual entre 1% e 2% da base de acessos móveis ao longo dos próximos três anos, impulsionada principalmente pelas conexões máquina a máquina (M2M).
Em março de 2026, o Brasil registrava cerca de 274 milhões de chips ativos.
Nesse cenário, a Fitch projeta que a TIM amplie sua base móvel para 63 milhões de clientes em 2026 e 64 milhões em 2027.
A operadora detinha participação de mercado próxima de 23%, atrás da Vivo, com cerca de 38%, e da Claro, com aproximadamente 33%.
O relatório ressalta que a competição permanece racional, mas intensa, limitando ganhos de preço pelas operadoras.
Banda larga segue em expansão
A Fitch também prevê crescimento da operação de fibra.
A estimativa é que a base de clientes da TIM UltraFibra passe dos atuais 880 mil acessos para aproximadamente 910 mil em 2026 e 940 mil em 2027.
Ao mesmo tempo, a agência observa que a competição na banda larga continua elevada, especialmente pela presença de provedores regionais, que seguem ampliando participação de mercado mesmo diante da intensidade de capital exigida pelo setor.
Alavancagem abaixo de 1x
Um dos principais fundamentos para a manutenção do rating máximo é a expectativa de continuidade de uma estrutura de capital considerada bastante conservadora.
A Fitch projeta que a alavancagem líquida consolidada permanecerá abaixo de 1 vez EBITDA ao longo do horizonte de análise.
A dívida líquida deverá ficar próxima de R$ 2 bilhões em 2026 e recuar para cerca de R$ 600 milhões em 2027.
Caixa cobre seis vezes a dívida de curto prazo
Outro ponto destacado pela Fitch é a liquidez da companhia.
Ao final de março de 2026, a TIM possuía R$ 5,9 bilhões em caixa e aplicações financeiras, enquanto a dívida de curto prazo somava apenas R$ 926 milhões.
A dívida consolidada total alcançava aproximadamente R$ 10 bilhões.
Desse montante, cerca de 64% correspondem a debêntures emitidas pela TIM Brasil, 20% a debêntures emitidas pela TIM, 10% a obrigações relacionadas às licenças do 5G e os 6% restantes a financiamentos contratados junto ao BNDES e ao Banco do Nordeste.
Concorrência e regulação são os principais riscos
Embora a perspectiva permaneça estável, a Fitch identificou fatores que poderiam pressionar os ratings futuramente.
Entre eles estão uma eventual elevação da alavancagem líquida acima de 2,5 vezes EBITDA, redução permanente da cobertura de juros para abaixo de três vezes, mudanças regulatórias que afetem margens operacionais e perda relevante de participação de mercado.
A agência também menciona o risco de intensificação da concorrência, especialmente caso a participação da TIM recue para menos de 20% do mercado móvel e os custos de aquisição de clientes aumentem.
Ainda assim, a avaliação final da Fitch é de que a operadora continuará apresentando indicadores compatíveis com a nota máxima da escala nacional brasileira, sustentada pela liderança operacional, forte geração de caixa e ampla flexibilidade financeira.




