Sustentabilidade da infraestrutura de telecom entra na agenda da Anatel, diz Alexandre Freire

Na construção de parâmetros de financiamento sustentável, que inclui os objetivos da ONU para 2030, o conselheiro da Anatel pretende também incluir os cabos submarinos e os data centers.
Posse de Alexandre Freire | Crédito Tele.Síntese
| Crédito Tele.Síntese

O mais novo conselheiro da Anatel, Alexandre Freire, começa a agir para acrescentar temas mais identificados com as preocupações deste século, ao invés de apenas lidar com projetos de ampliação das redes, competição e universalização do acesso, marca registrada das ações do órgão regulador nesses últimos 26 anos de atuação.

Responsável pelo Comitê de Infraestrutura de Telecomunicações, além do Centro de Altos Estudos de Comunicação Digital, Freire quer promover uma atualização dos temas de reflexão, interesse, diálogo e, porque não dizer, até regulamentação, dos setores que estão sob a batuta da Anatel.

“Para que o país tenha a infraestrutura de telecom mais inovadora, é preciso pensar em formas de financiamento que não calculem apenas os interesses econômicos dos players como as OTTs e as operadoras, mas incluam a sustentabilidade como um item fundamental”, afirmou Alexandre Freire.

Adepto à busca de solução consensual do mercado, o conselheiro inclui em sua definição de rede sustentável não apenas a agenda 2030 da ONU, que elenca os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável, como também demandas da atual política setorial, como  a conectividade significativa e a inclusão digital. “O ser humano deve ser o epicentro das ações. Vamos construir plataformas de debates de promoção da agenda ESG ( Environmental, Social and Governance).

Novos players

Na construção da nova agenda, Freire pretende também incluir novos segmentos a serem objeto de interesse do comitê da infraestrutura da Anatel. Entre eles, o segmento de Data Center e o de cabos submarinos. “Entendo que está na hora de estudarmos melhor o papel desses cabos e também analisar os data centers sob a ótica ESG”, completou

Nessa nova abordagem, admite que a ideia que está construindo, para estimular as operadoras a trocarem suas multas por obrigações de adotar medidas da pauta ESG, pode até ser entendida como uma premiação à empresa. Mas ainda prefere essa proposta do que deixar que as multas sejam judicializadas. ” Mas essa obrigação de fazer só seria adotada caso a caso, e mesmo assim não se aplicaria nos processos de faltas graves”, pondera. Assinala que a sustentabilidade está vinculada à agenda da responsabilidade social, que pode ser entendida também como compromissos com educação ou mesmo iniciativa para a erradicação da pobreza.

Inteligência Artificial

Em outra frente, Freire também mantém a defesa de trazer para a batuta da Anatel a regulação do segmento de inteligência artificial. Lembra que a agência já está firmando convênios com diferentes instituições de ensino e pesquisa, como as universidades federais de Goiás, Campina Grande e Campinas. E sugere até que  o concurso público a ser lançado destine algumas vagas para especialistas em ciência de dados e IA. “A Anatel tem que pensar a IA Generativa até para seus processos internos, além de estudar o tema como a zona fronteiriça”, diz.

 

 

 

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Miriam Aquino

Jornalista há mais de 30 anos, é diretora da Momento Editorial e responsável pela sucursal de Brasília. Especializou-se nas áreas de telecomunicações e de Tecnologia da Informação, e tem ampla experiência no acompanhamento de políticas públicas e dos assuntos regulatórios.
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