SpaceX pede sigilo sobre operação D2D com tele no Brasil
Companhia informou à FCC que recebeu as autorizações necessárias para iniciar comunicações diretas entre satélites e celulares no País, mas manteve sob confidencialidade a operadora parceira, as frequências e as áreas atendidas.

A SpaceX pediu à Comissão Federal de Comunicações dos Estados Unidos (FCC, na sigla em inglês) tratamento confidencial para informações sobre uma operação de conexão direta entre satélites e celulares no Brasil. O projeto será desenvolvido com uma operadora móvel brasileira, cuja identidade foi retirada da versão pública do documento.
Em comunicação datada de 21 de julho, a companhia afirma que obteve as autorizações necessárias para iniciar as comunicações com dispositivos no Brasil, como noticiado ontem pelo Tele.Síntese. O pedido de confidencialidade apresentado à FCC abrange informações sobre a parceria comercial planejada pela empresa.
A SpaceX solicita que o material permaneça fora do arquivo público por 30 dias. Segundo a companhia, a divulgação neste momento poderia revelar aos concorrentes informações não públicas sobre seus acordos internacionais e prejudicar as tratativas comerciais relacionadas ao projeto.
“Esta informação, que não foi divulgada publicamente em outros fóruns, poderia ser usada para colocar a SpaceX em desvantagem no mercado”, afirma a empresa no pedido, em tradução livre.
Os documentos públicos não classificam a operação como piloto ou teste. Também não indicam se a autorização contempla uma futura oferta comercial. Por esse motivo, ainda não é possível afirmar quando o serviço estará disponível aos consumidores.
Parceira detém as frequências
A SpaceX informou que firmou acordos para acessar o espectro licenciado da operadora parceira. Segundo a companhia, a tele é a única autorizada a utilizar as frequências nas áreas geográficas previstas para a operação.
O nome da operadora, as faixas de radiofrequência, as regiões atendidas e a referência da autorização concedida pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) foram ocultados do documento público.
A empresa também declarou à FCC que as frequências previstas estão destinadas ao serviço móvel no Brasil e fazem parte das autorizações norte-americanas da SpaceX para operações de cobertura suplementar por satélite fora dos Estados Unidos.
A tecnologia, chamada pela FCC de Supplemental Coverage from Space (SCS), permite que satélites se comuniquem diretamente com aparelhos celulares compatíveis usando o espectro licenciado de uma operadora móvel. A solução é voltada principalmente à ampliação da cobertura em áreas não atendidas pelas redes terrestres.
Controle de interferências
A SpaceX e a operadora brasileira afirmam ter analisado possíveis interferências em faixas adjacentes e em regiões de fronteira. A companhia certificou que a operação será realizada sem direito à proteção contra interferências e sem causar prejuízos a outros sistemas.
A empresa também informou que forneceu à parceira e à Anatel um contato disponível 24 horas por dia para interromper as transmissões caso seja identificada alguma interferência prejudicial.
Ainda conforme o documento, a SpaceX adotará imediatamente as medidas necessárias para eliminar eventuais interferências. A operadora parceira também forneceu seus contatos à autoridade reguladora brasileira.
O pedido de confidencialidade sustenta que as informações são compartilhadas apenas com funcionários, contratados, parceiros comerciais e reguladores submetidos a compromissos de não divulgação. A SpaceX prevê que, depois do prazo de 30 dias, os dados deixarão de ser comercialmente sensíveis.




