Vivo negocia com SpaceX oferta D2D no Brasil

Operadora pode se tornar uma das primeiras a oferecer no País a conexão direta entre celulares e satélites da empresa de Elon Musk; por ora, Anatel autorizou testes com 50 terminais D2D.

A Vivo negocia com a SpaceX um contrato para fornecimento de conectividade direta entre satélites e celulares em todo o Brasil, apurou o Tele.Síntese. Caso as tratativas sejam concluídas, a operadora poderá se tornar uma das primeiras a oferecer comercialmente por aqui a solução Direct-to-Device (D2D) desenvolvida pela companhia de Elon Musk.

Foto: Freepik
Foto: Freepik

Procuradas, Vivo e SpaceX não quiseram comentar o assunto.

A Telefônica Brasil, dona da Vivo, recebeu no começo do mês autorização da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) para realizar testes D2D em todo o território nacional entre 19 de julho e 22 de outubro de 2026.

O Ato nº 9.095, publicado no Diário Oficial da União em 15 de julho, permite o uso de até 50 terminais móveis. O documento da agência não identifica a empresa responsável pelo segmento satelital do experimento.

TIM e Claro também mantêm conversas com a SpaceX e outras operadoras de satélites de baixa órbita para avaliar a oferta de D2D no mercado brasileiro, afirmaram ao Tele.Síntese fontes a par do assunto.

O espectro para D2D

A autorização concedida à Telefônica Brasil abrange os 2,5 GHz, mais exatamente as frequências de 2.567,5 MHz e 2.687,5 MHz, ambas com largura de faixa de 5 MHz e potência máxima de transmissão de 100 watts.

O uso será realizado em caráter secundário. Dessa forma, a operadora não terá proteção contra interferências provocadas por sistemas que utilizam as faixas em caráter primário e deverá interromper as transmissões caso cause interferências em serviços já autorizados.

A Vivo terá de compartilhar com a Anatel informações e documentos relacionados ao experimento, comunicar eventuais interferências ou riscos e apresentar um relatório ao fim do período autorizado.

A agência também emitiu um ato para liberar a exploração comercial do D2D pela Vivo, conforme as regras específicas do ambiente regulatório experimental e as demais normas aplicáveis. Originalmente, o ato não gerava direito à exploração comercial. A retificação condiciona uma eventual oferta às regras do projeto piloto e à regulamentação aplicável.

Como funciona o D2D

O D2D permite que celulares se conectem diretamente a satélites, sem a necessidade de uma antena externa dedicada. Os satélites funcionam como uma extensão da rede móvel em locais onde não há cobertura terrestre disponível.

A tecnologia é voltada principalmente à ampliação da conectividade em áreas remotas ou de baixa densidade populacional, nas quais a instalação de antenas terrestres pode não ser economicamente viável.

A capacidade de transmissão de dados, por enquanto, é inferior à oferecida pelas redes terrestres 5G Standalone. Por isso, o D2D funciona como complemento, e não como substituto, das redes móveis convencionais. A tecnologia pode ser utilizada para mensagens, chamadas e acesso à internet, conforme a capacidade da rede satelital, o espectro disponível e os aparelhos compatíveis.

O sandbox regulatório da Anatel, instrumento que autorizou a Vivo a proceder com o D2D, funciona como um ambiente temporário e supervisionado no qual empresas podem testar tecnologias e modelos de prestação antes da definição de regras permanentes. No caso da conexão direta por satélite, as operadoras móveis podem solicitar autorizações temporárias para usar radiofrequências destinadas ao Serviço Móvel Pessoal nas áreas em que já atuam, por períodos de até 24 meses.

Durante os testes, as participantes devem fornecer à agência documentos e resultados, colaborar com o aprimoramento da solução regulatória, comunicar riscos ou interferências e apresentar um relatório ao fim do experimento. As informações obtidas permitem à Anatel avaliar o funcionamento da tecnologia e subsidiar decisões regulatórias posteriores.

Vale lembrar que dias antes do aval ao sandbox da Vivo, o Conselho Diretor da Anatel aprovou o novo PDFF, plano de distribuição de frequências, no qual incluiu a previsão de uso de faixas pelo D2D no país pela primeira vez.

Avatar photo

Rafael Bucco

Artigos: 5617