Terremotos na Venezuela reforçam debate sobre D2D

Conectividade entre satélites e celulares foi usada após terremotos; Anatel discute o uso da Banda S no Brasil.

satélite Venezuela

O uso da conectividade direta entre satélites e celulares (Direct-to-Device, ou D2D) nas operações de resposta aos terremotos na Venezuela ocorre no momento em que a Anatel discute o uso da Banda S para serviços satelitais no Brasil.

O caso é um dos exemplos mais recentes da utilização da tecnologia em situações de emergência, enquanto a agência brasileira avalia pedidos relacionados ao uso do espectro para esse mercado.

Centenas de milhares de pessoas utilizaram o serviço para envio de mensagens SMS em regiões onde a infraestrutura terrestre foi afetada. No estado de La Guaira, no norte da Venezuela, clientes das operadoras MovistarVe, Movilnet e Digitel permaneceram conectados enquanto as redes convencionais eram gradualmente restabelecidas.

Além do serviço D2D, mais de 1,6 mil kits Starlink foram distribuídos para mais de 80 organizações envolvidas nas operações de resposta aos terremotos, incluindo equipes humanitárias, de busca e salvamento e serviços médicos de emergência. Famílias afetadas também passaram a contar com acesso gratuito à internet residencial até 25 de julho.

Os kits passaram ainda a fornecer conexão para torres de telefonia danificadas, contribuindo para a retomada dos serviços móveis nas áreas atingidas.

Debate regulatório no Brasil

O caso ocorre em um momento de intensificação das discussões regulatórias sobre serviços satelitais no Brasil. A Anatel abriu consulta pública sobre o pedido da Starlink para ampliação de capacidade na Banda S em sua constelação de satélites não geoestacionários.

A agência também abriu espaço para contribuições relacionadas ao uso da faixa por outras operadoras de satélite interessadas nesse mercado, ampliando o debate sobre o compartilhamento e a destinação do espectro para novos modelos de conectividade.

As discussões envolvem aspectos técnicos e regulatórios relacionados ao uso da Banda S e à coexistência entre diferentes modelos de prestação de serviços satelitais.

Expansão da infraestrutura satelital

O avanço das aplicações D2D ocorre em paralelo à expansão da infraestrutura das constelações de satélites de baixa órbita.

Nos Estados Unidos, a Starlink solicitou autorização à Comissão Federal de Comunicações (FCC) para implantar uma constelação de até 100 mil satélites de terceira geração (Gen3).

Segundo a empresa, o pedido tem como objetivo ampliar a capacidade da rede para atender ao crescimento da demanda por conectividade, impulsionada por aplicações de inteligência artificial, além de suportar a expansão de novos serviços satelitais.

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Da Redação

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