Redata esbarra no ajuste fiscal

Programa federal de incentivo à instalação de data centers de IA no Brasil, Redata aguarda publicação em meio a discussões sobre ajuste fiscal. Setor vê no texto "divisor de águas". Abisemi defende inclusão de semicondutores nacionais.

IA Data Center

Demanda do setor de data centers para atrair grandes empresas de dados para o país, o Redata ainda não tem previsão de sair por parte do Governo Federal. O texto já estaria pronto, chegou a ser compartilhado com parlamentares como Davi Alcolumbre e Hugo Motta, presidentes do Senado e da Câmara, respectivamente. Mas desde a disputa envolvendo o aumento do IOF, estacou, à espera de melhor oportunidade.

É complexo oferecer um novo incentivo fiscal, enquanto o próprio governo critica benefícios, como a desoneração da folha de pagamentos, busca compensações com o IOF e aponta para urgência de ajuste do déficit fiscal. Enquanto isso, o setor de tecnologia busca manter o tema em debate.

Como já noticiado pelo Tele.Síntese, empresas como Ascenty, Elea Data Centers, Equinix, e as associações setoriais ABCD e Brasscom já se pronunciaram sobre a oportunidade vista na iniciativa. A Elea, inclusive, defende que o Redata seja apresentado aos EUA como uma das soluções para o impasse tarifário inaugurado por Donald Trump.

Em entrevista a este noticiário na última semana, Eduardo Reigada, COO da NextStream, empresa controlada pelo fundo britânico Actis e operadora dos data centers que um dia foram da Telefônica na América Latina, se juntou ao coro.

Reigada afirma que o Redata pode ser nada menos que um “divisor de águas” para o setor, ao prever isenção de tributos federais não apenas sobre a infraestrutura física, mas também sobre os serviços digitais que operam a partir desses centros. “Imagine um hiperescalar que investe três ou quatro vezes o valor da construção do data center. Uma redução de 40% em taxas e impostos torna o Brasil mais competitivo até que os Estados Unidos”, declarou ao Tele.Síntese.

A NextStream foi formada em 2023 após a Actis adquirir os ativos latino-americanos da espanhola Asterion, que operava os data centers originalmente construídos pela Telefônica e depois transferidos à Nabiax. Agora, a empresa conduz um projeto de modernização dessa infraestrutura, chamado de “foundation work”, com o objetivo de atender aos padrões exigidos por clientes do segmento de hiperescala e de IA.

“Estamos reformulando os data centers herdados para atender a exigências específicas, como maior eficiência energética, segurança operacional e integração com sistemas de monitoramento em tempo real”, explicou o executivo.

Abisemi pede ajustes

Conforme o tempo passa, aumenta a chance para que ajustes aconteçam. Novos interlocutores buscam o governo e sugerem melhorias, a fim de contemplar segmentos além das big techs. É o caso da Abisemi, entidade que representa os produtores brasileiros de semicondutores.

No dia 18 de julho, Rogério Nunes, presidente da entidade, esteve com Geraldo Alckmin e Uallace Moreira. Na reunião, a conversa passou por aperfeiçoamentos ao Redata – ou ao menos ao que se conhece do programa. “Nossa demanda é sobre a inclusão de itens de manufatura local, como os servidores, e desta forma também a manufatura local das memórias fabricadas no Brasil, sejam SSD, sejam Módulos DRAM”, contou Nunes ao Tele.Síntese.

No entender da Abisemi, o programa deve ter o condão de incentivar também a produção nacional. “Acreditamos que incentivar e reduzir os impostos sem agregação de tecnologia e manufatura local não promove a economia brasileira, ainda que consuma energia verde nacional de forma intensa”, observou.

ZPEs e incertezas tributárias

Sem o envio da MP do Redata formulado pelo Ministério da Fazenda, o MDIC vai agindo no âmbito de suas atribuições, regulando as chamadas Zonas de Processamento de Exportação (ZPEs). São locais em que há incentivos fiscais para empresas dedicadas à exportação de produtos e serviços.

Neste ano, a Pasta abriu uma enorme janela para a instalação de data centers voltados ao processamento de dados para o exterior, nesta semana, regulou a possibilidade de contratação de energia de forma também beneficiada economicamente, uma vez que estas estruturas consomem muita eletricidade.

Ontem, 22, também em conversa ao Tele.Síntese, a advogada especializada no setor elétrico, Ana Carolina Calil, do escritório Cescon Barrieu, lembrou que focar apenas as ZPEs não soluciona o gargalo da transmissão de energia.

Para a Nextstream, as ZPEs não são a solução definitiva, como seria o programa da Fazenda. “O Redata traria segurança jurídica e amplitude nacional”, avaliou Reigada, o COO da empresa.

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Rafael Bucco

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