“Quem pensa em bolha está desinformado”, diz CEO da Elea sobre boom de data centers para IA
Com apoio de fundos de bancos nacionais, empresa investe na primeira fase da Rio AI City e promete infraestrutura pronta para atrair hyperscalers globais

A Elea Data Centers iniciou a construção da Rio AI City, megacomplexo de data centers na zona oeste do Rio de Janeiro, com investimento de “alguns bilhões” para entregar 80 MW em 2026. O projeto marca a entrada da empresa na corrida global por infraestrutura de inteligência artificial e prevê expansão contínua até 3,2 GW, o que pode torná-lo um dos maiores polos tecnológicos da América Latina.
Em entrevista ao Tele.Síntese, o CEO da companhia, Alessandro Lombardi, rebateu com veemência a ideia de excesso de oferta: “Quem pensa em bolha está desinformado”, afirma. Segundo ele, os data centers de IA do mundo têm menos de 2% de espaço ocioso atualmente, e os que são construídos, são terminados já praticamente todo ocupados. Para ele, a demanda por infraestrutura de IA é concreta, puxada pelas big techs — Google, Meta, Amazon, Microsoft — que já somam 100 GW em necessidade computacional conforme balanços de 2024.
Capital abundante e estratégia nacional
Lombardi atribui o fôlego financeiro da Elea Data Centers à sociedade com o banco Goldman Sachs, que adquiriu a maior fatia do capital social da empresa como investidor em 2021, embora o controle permaneça sob a Piemonte Holdings. “Não temos sócio de fundo fechado com prazo de saída. Temos um banco de investimento cujo core é operar dinheiro. Se o projeto se sustenta economicamente, o capital está garantido”, afirmou. Também apoiam financeiramente o projeto os bancos BTG Pactual, Bradesco e Bando do Brasil.
A Elea tem apostado em antecipar obras de grande porte para oferecer colocation com entrega rápida a clientes corporativos e hyperscalers. Segundo o executivo, essa estratégia explica a rápida expansão para Barueri (SP) — onde a empresa comprou dois data centers da Hewlett-Packard ano passado — e agora para o Rio de Janeiro.
No caso da Rio AI City, a empresa já opera no local com o RJO1 e está ampliando a infraestrutura no Parque Olímpico, onde tem licença para ocupar 500 mil metros quadrados. O projeto conta com apoio institucional da Prefeitura do Rio e estará interligado à malha urbana, energética e de cabos submarinos.
IA como bandeira estratégica
Segundo o CEO, a aposta da empresa no Rio de Janeiro foi para evitar locais onde é difícil expandir e nos quais infraestrutura sofre com gargalos. “Vimos players escolherem áreas sem conectividade, segurança ou capacidade de obra. Preferimos um local urbano com infraestrutura legada das Olimpíadas, matriz energética estável e ecossistema de inovação com universidades como a PUC e a UFRJ”, alfineta.
A Elea já conta com nove data centers em cinco regiões metropolitanas e, segundo Lombardi, está aberta a modelos híbridos de negócio — de leasing até parcerias com hyperscalers. “O Rio tem tudo para ser um novo polo global. O que falta é capacidade de o Brasil comportar projetos desse porte com segurança jurídica e previsibilidade”, diz. Neste sentido, ele afirma se totalmente favorável à política de atração de data centers do governo federal, batizada de Redata, que deve sair em alguns dias via Medida Provisória.
