Para a Vivo, mercado irregular de terminais IoT dificulta desligamento das redes 2G/3G

Vivo diz que Anatel deve parar de homologar dispositivos 2G/3G e definir um plano de ação para redução gradativa da rede legada

LOJA VIVO - IBIRAPUERA - CRÉDITO DIVULGAÇÃO VIVO

A Vivo apresentou também sua opinião em relação ao possível desligamento das redes 2G e 3G. A operadora destaca que subscreve o pleito apresentado pela Conexis, em abril, de que a Anatel pare de homologar produtos a fim de que a base de terminais do tipo encolha.

A companhia conclama o setor, dos fabricantes à Anatel, a abraçarem a causa e agirem em um “movimento conjunto e estruturado, com ações bem definidas no tempo”.

Ressalta que o objetivo final do desligamento das redes 2G e 3G é liberar o espectro para melhorar a prestação do serviço móvel com tecnologias mais avançadas. Ressalta que no mundo 48 operadoras que utilizaram tais tecnologias realizam o desligamento até 2022. Outras 100 operadoras estão executando os planos, conforme dados da Global Mobile Suppliers Association (GSA).

Nos EUA, as três principais operadoras já desligaram suas redes 3G; delas, restava apenas a T-Mobile desligar a 2G. No Canadá, as 3 (três) principais operadoras já desligaram suas redes 2G. Na América Latina, Equador, México e Colômbia já iniciaram o desligue do 2G.

A Vivo diz que 2G e 3G estagnaram em 2018 e apenas geram ineficiência no uso de espectro e custos de manutenção. “Por outro lado, quase a totalidade dos municípios já possuem a tecnologia 4G implantada que, com a liberação das frequências de 2G e 3G, poderia permitir o uso mais eficiente do espectro de radiofrequência”, avalia.

A seu ver, o desligamento das redes móveis legadas já é possível, de forma faseada. Segundo dados da Anatel, dos 5.570 municípios brasileiros, 5.540 possuem rede 4G implantada.

“A cobertura 4G em todos os municípios é perfeitamente exequível se considerarmos um planejamento de curto/médio prazo, possibilitando o desligue total das tecnologias legadas”, diz a Vivo.

A tele diz que já não comercializa mais solução baseadas no 2G ou no 3G. Mas que, por vender SIM Cards, os acessos aparecem nas redes legadas ao serem usados em terminais com a tecnologia legada.

Como Claro e TIM, defende que as fabricantes cessem a produção de terminais exclusivamente 2G ou 3G, muitas vezes comercializados de forma irregular. “Infelizmente, o que se verifica no mercado é a oferta contínua de dispositivos com tecnologia legada, em especial do tipo M2M, alguns deles sem certificação/homologação na Anatel e oferecidos no mercado informal, que devido ao baixo custo, que permanecem quase perenemente em operação”, opina.

E propõe, em linha com a Conexis:

  • Estabelecimento de Grupo Técnico, com a participação das prestadoras, sob coordenação da Anatel para definir e coordenar as ações;
  • a redução gradativa da utilização da rede legada, que deve ser alcançada com fim imediato da certificação/homologação de dispositivos que operem apenas nas tecnologias 2G e 3G;
  • a ampliação do Projeto Celular Legal para abranger também dos dispositivos M2M/IoT por meio da análise dos CDRs de Dados e, assim, coibir o uso indevido de dispositivos que não são homologados ou que possam estar adulterados.
  • Complementarmente, deve-se exigir a indicação do TAC (oito primeiros dígitos do IMEI) das Estações Terminais de Acesso e dos Telefones Móveis Celular do SMP nos documentos de Certificação e Homologação para facilitar o controle das prestadoras no projeto Celular Legal.
  • Garantir que o processo de certificação/homologação dos dispositivos com tecnologia 4G ou superior exija o suporte aos serviços de Voz sobre Dados (VoLTE, VoNR etc) para garantir a prestação do SMP na sua plenitude a partir do desligue das redes legadas.
  • Promoção de discussões com os poderes executivo e legislativo com foco na criação de política pública para aceleração da conectividade significativa, por meio da desoneração de dispositivos terminais e equipamentos de rede compatíveis com as tecnologias 4G e 5G, dentre outras iniciativas.
  • Intensificação de ações conjuntas da Anatel, MJ e PF contra a importação e comércio de aparelhos não homologados/ilegais com especial foco nos dispositivos M2M e IoT.
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Rafael Bucco

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