Fitch vê mudança na estratégia da QMC e aposta em maior rentabilidade da empresa

Agência vê na QMC disciplina em alocação de capital, expansão de ativos de maior valor agregado e potencial do mercado brasileiro de infraestrutura para telecomunicações.

A Fitch Ratings revisou sua avaliação sobre a QMC Telecom ao concluir que a empresa entrou em uma nova fase de crescimento baseada menos na expansão acelerada de ativos e mais na rentabilidade dos investimentos. Essa mudança levou a agência de classificação de crédito a elevar a nota da companhia, após identificar melhora nos indicadores financeiros, na geração de caixa e nas margens operacionais.

Segundo a Fitch, o principal fator por trás da revisão foi a nova política de investimentos da empresa, voltada para ativos capazes de gerar maior retorno sobre o capital empregado. O relatório afirma que a QMC deverá preservar “forte perfil financeiro nos próximos anos, devido à sua eficiente gestão financeira e à sua nova política de investimentos, focada em rentabilidade e maiores retornos de capital”.

Na avaliação da agência, essa estratégia deve permitir que a empresa mantenha baixa alavancagem para os padrões do setor, mesmo continuando a investir na expansão da infraestrutura. A expectativa é de que a relação entre dívida líquida e EBITDA permaneça abaixo de cinco vezes em 2026 e 2027.

Ativos de maior valor agregado

Outro aspecto destacado pela Fitch é a mudança no perfil dos ativos da companhia. Mais da metade da receita já é proveniente de soluções com maior valor agregado, como sistemas distribuídos de antenas (DAS), infraestrutura em nível de rua (Street Level Solutions) e outras estruturas que permitem maior ocupação e rentabilidade.

A agência observa que esse modelo amplia a receita gerada por ativo instalado e deve elevar a margem de EBITDA para mais de 60% nos próximos dois anos, à medida que novos projetos entrem em operação.

O relatório também considera positiva a evolução do loading factor — indicador que mede o número médio de contratos por ativo — atualmente em 1,57 vez, refletindo maior aproveitamento da infraestrutura existente.

Mercado brasileiro ainda oferece espaço para expansão

A análise da Fitch também traz uma leitura sobre o mercado brasileiro de infraestrutura passiva. Segundo a agência, o país ainda apresenta baixa densidade de torres em relação à média internacional, com aproximadamente 80 mil sites e cerca de 0,35 torre por mil habitantes, ante uma média global de 0,70.

Para a agência, esse cenário sustenta perspectivas favoráveis de crescimento, impulsionadas pela expansão das redes 5G e pela necessidade de ampliação da cobertura e da capacidade das operadoras móveis. A entrada de prestadoras regionais também é apontada como um fator adicional de demanda por novas estruturas.

Crescimento, mas com disciplina financeira

Apesar da expectativa de continuidade dos investimentos, a Fitch avalia que a empresa deverá manter disciplina na alocação de capital. O cenário-base considera investimentos anuais equivalentes a 30% a 40% da receita, direcionados a projetos já contratados, sem incorporar aquisições ou distribuição de dividendos.

A agência projeta que a QMC amplie sua base para cerca de 3.500 ativos em 2026 e alcance EBITDA próximo de R$ 300 milhões no mesmo ano, chegando a R$ 350 milhões em 2027. Também destaca como ponto positivo a liquidez da companhia, favorecida pelo cronograma de vencimento da dívida apenas a partir de 2029 e pela disponibilidade de recursos ainda não sacados da quarta emissão de debêntures.

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Rafael Bucco

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