Alares recebe avaliação positiva da Fitch em meio à consolidação dos ISPs
Agência de classificação de risco Fitch projeta avanço no EBITDA e fluxo de caixa positivo na Alares a partir de 2026, mesmo com investimentos intensos

A Fitch Ratings atribuiu à Alares Internet o rating nacional de longo prazo ‘A(bra)’, com perspectiva estável. A classificação, diz, reflete a posição consolidada da empresa no mercado de banda larga via fibra óptica, sua estratégia de crescimento — tanto orgânico quanto por aquisições — e uma estrutura de capital considerada adequada, mesmo diante da concorrência intensa no setor.
Segundo a agência, a Alares deve alcançar um EBITDA de R$ 380 milhões em 2025 e de R$ 420 milhões em 2026, com margem operacional de 45%. Embora o fluxo de caixa livre (FCF) deva permanecer negativo este ano, pressionado por um investimento estimado em R$ 230 milhões, espera-se que ele se torne positivo a partir de 2026.
A Alares atua em 228 cidades de sete estados, com cerca de 800 mil clientes, o equivalente a 1,5% do market share nacional em banda larga fixa. A Alares oferece pacotes que incluem múltiplos serviços — como banda larga, telefonia fixa e TV por assinatura —, o que contribui para reduzir taxas de desconexão e ampliar o valor de longo prazo da base de assinantes, avalia a Fitch.
O modelo de negócios da operadora, apesar da escala ainda moderada, se beneficia da capacidade de integração de aquisições, como a da Webby (115 mil clientes, em 2023) e da Azza (136 mil clientes, em 2024). O cenário-base da agência não inclui novas aquisições, embora reconheça que sejam prováveis.
O mercado brasileiro de banda larga fixa é altamente competitivo, com 53 milhões de usuários e participação crescente das ISPs, que atingiram 56% do mercado em maio de 2025, frente a 47% em 2021. A Fitch ressalta que, apesar da regulação considerada benigna pela Anatel, o setor apresenta risco de moderado a elevado, com barreiras de entrada relativamente baixas. As grandes operadoras — Claro, Telefônica Vivo e NIO — detêm, respectivamente, 20%, 14% e 8% do mercado.
A expectativa é que os ISPs sigam com estratégias de consolidação para diluir custos fixos e manter a competitividade frente às líderes nacionais.
Em março de 2025, a dívida da operadora somava R$ 1,3 bilhão, sendo 59% em debêntures, 19% em obrigações de aquisição de controladas e outros 19% em notas comerciais. A alavancagem líquida era de 3,4 vezes no período de 12 meses encerrado em março, mas cai para 3,1 vezes na projeção anualizada, considerando a integração da Azza. A Fitch projeta que o índice permaneça abaixo de 3,5 vezes, caso não haja novas aquisições financiadas por dívida pela Alares.
