Em discurso ao Mercosul, Lula defende capacidade tecnológica regional

"A governança regional de dados no Mercosul é vital para nossa soberania futura e para o desenvolvimento da Inteligência Artificial", afirmou Lula em sessão plenária.
Foto: Ricardo Stuckert / PR
Lula participa de sessão plenária do Mercosul | Foto: Ricardo Stuckert / PR

Em pronunciamento na sessão plenária dos presidentes do Mercosul e Estados Associados nesta segunda-feira, 8, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva reforçou o posicionamento pela independência tecnológica do Sul Global, especialmente no desenvolvimento de Inteligência Artificial (IA).

“A governança regional de dados no Mercosul é vital para nossa soberania futura e para o desenvolvimento da Inteligência Artificial. É preciso habilitar nossa região a desenvolver capacidade própria de coletar, processar e armazenar dados, insumo fundamental para avançar no desenvolvimento tecnológico e na digitalização da indústria regional”, afirmou Lula nesta manhã em Assunção, no Paraguai.

O presidente do Brasil também defendeu o potencial dos membros do Mercosul no mercado de insumos estratégicos. “Temos tudo para nos tornar um elo importante na cadeia de semicondutores, baterias e painéis solares”, disse.

A manifestação de Lula está alinhada ao que ele defendeu no último mês em outros foros internacionais, como quando esteve na Cúpula do G7, na Itália. “Necessitamos de uma governança internacional e intergovernamental da IA, em que todos os Estados tenham assento”, disse o presidente na ocasião.

O tema também foi mencionado no lançamento da Coalizão Global para Justiça Social no âmbito da 112ª conferência da Organização Mundial do Trabalho (OIT), em Genebra (Suíça). “Teremos que atuar para que os benefícios [da IA] cheguem a todos e não apenas aos mesmos países que sempre ficam com a parte melhor. Do contrário, tenderá a reforçar vieses e hierarquias geopolíticas, culturais, sociais e de gênero”, disse o chefe do Executivo no evento.

O governo contava com a conclusão de um plano de IA para o Brasil, que seria apresentado nos eventos internacionais desde junho. No entanto, o cronograma da proposta foi afetado ao longo do último semestre pela calamidade no Rio Grande do Sul, segundo o governo. A expectativa é de anunciar medidas entre o final de julho e o início de agosto.

Entre as iniciativas já anunciadas no sentido de desenvolver o setor tecnológico no país, o governo federal determinou no final de junho a criação de um comitê formado por membros do Conselhão (Conselho de Desenvolvimento Econômico Social Sustentável) e do Poder Executivo, afim de identificar, priorizar e companhar projetos que demandam alto investimento, promovendo “viabilidade de desenvolver soluções”.

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Da Redação

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