China restringe exportações de metais usados em chips e equipamentos 5G

Exportadores chineses precisarão de permissão do governo para vender gálio e germânio ao exterior a partir de agosto; materiais são usados em estações rádio base 5G, semicondutores e cabos de fibra óptica, entre outros produtos
China restringe exportações de materiais usados na fabricação de chips e infraestrutura de 5G
Lingotes de gálio; exportações de materiais usados em chips e equipamentos de redes 5G precisarão de autorização do governo da China (crédito: Freepik)

Em mais um episódio da disputa tecnológica contra os Estados Unidos, a China anunciou que vai implementar um sistema de controle de exportação sobre gálio e germânio, metais usados na fabricação de semicondutores e equipamentos de telecomunicações, incluindo estações rádio base 5G.

Na prática, para vender os metais para clientes de outros países, os exportadores chineses terão de solicitar uma permissão ao governo a partir do mês de agosto. Em caso de venda sem a autorização, as empresas ficam sujeitas a multas e penas criminais.

“Para proteger a segurança e os interesses nacionais, com a aprovação do Conselho de Estado, está decidido implementar controles de exportação sobre itens relacionados a gálio e germânio”, diz comunicado do Ministério do Comércio da China.

De acordo com o Serviço Geológico dos Estados Unidos, a China é o maior produtor de gálio e germânio do mundo. Dessa forma, uma eventual redução das exportações pode impactar a produção e elevar os preços, em especial, de equipamentos dos setores de telecomunicações, tecnologia, energia e automotivo.

O gálio, entre outros componentes, é usado em semicondutores compostos e em chips que alimentam as estações de rádio base da rede 5G, além de carregadores de veículos elétricos e equipamentos para comunicações sem fio.

O germânio, por sua vez, costuma ser adicionado ao silício para facilitar a fabricação de chips mais avançados. Cabos de fibra óptica e painéis solares também usam o metal.

Disputa

Em maio, em decisão inédita, o governo da China proibiu as empresas do país de comprarem chips da norte-americana Micron, alegando “significante risco de segurança”. A medida foi vista como retaliação às sanções impostas pelos Estados Unidos.

Em 2022, o governo de Joe Biden, por sua vez, impôs um pacote de restrições à exportação de insumos para fabricação de semicondutores e computação avançada para a China. Além disso, a chinesa Huawei, uma das maiores fabricantes de equipamentos de telecomunicações do mundo, já havia sido banida do mercado norte-americano.

Não satisfeito, Washington tem instado países com os quais mantém mais proximidade diplomática a restringirem o uso de equipamentos chineses. Em junho, por exemplo, sob o argumento do risco de segurança, a Comissão Europeia publicou um documento aprovando a exclusão da Huawei e da ZTE das redes 5G dos países-membros.

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Eduardo Vasconcelos

Jornalista e Economista

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