China proíbe empresas de comprar chips da norte-americana Micron

Em decisão inédita, governo chinês alega que componentes da fabricante põem em risco à segurança nacional do país; medida afeta, sobretudo, setores de telecom e financeiro
China proibiu empresas de comparem chips da Micron
Cerca de 16% da receita da Micron, especializada em chips de memória, vêm da China (crédito: Micron/Divulgação)

O governo da China proibiu grandes empresas chinesas, sobretudo dos setores de telecomunicações e financeiro, de adquirir chips da fabricante norte-americana Micron.

Em sua decisão, a Administração do Ciberespaço da China disse que os produtos da empresa contêm “significante risco de segurança”, de modo que podem afetar a segurança nacional do território chinês. A medida foi tornada pública no domingo, 21, de acordo com a Reuters.

O banimento de componentes da Micron, uma das maiores produtoras de chips de memória DRAM do mundo, ocorre cerca de dois meses após o governo chinês ter iniciado uma investigação contra a companhia norte-americana.

Além disso, a medida marca a primeira vez que Pequim impõe uma sanção coercitiva contra uma grande empresa dos Estados Unidos.

O governo norte-americana, por sua vez, já baniu produtos da chinesa Huawei, inclusive com justificativa semelhante, citando possíveis riscos de segurança. Adicionalmente, impôs um pacote de restrições à exportação de insumos para fabricação de semicondutores e componentes de computação avançada para a China.

Em abril, antevendo o possível banimento da Micron no território chinês, o governo de Joe Biden solicitou à Coreia do Sul  a não cobrir qualquer escassez de chips na China. O pedido se dirigia especificamente às empresas Samsung e SK Hynix, no sentido de essas companhias não aumentaram as vendas para a China caso os produtos da Micron sofressem alguma obstrução.

De acordo com um levantamento da Reuters, no ano passado, a China foi responsável por 16% da receita da Micron. Embora significativo, o percentual é menor do que o de suas concorrentes, como Nvidia (21%), AMD (22%), Intel (27%), Broadcom (35%) e Qualcomm (64%).

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Eduardo Vasconcelos

Jornalista e Economista

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