Senado enviará comissão aos EUA para discutir tarifaço
Comissão do Senado para discutir tarifaço dos EUA funcionará por 60 dias e pretende dialogar com Congresso norte-americano
O Senado enviará parlamentares brasileiros aos Estados Unidos (EUA) para dialogar a questão do tarifaço imposto ao Brasil por Donal Trump. A iniciativa foi viabilizada na última terça-feira, 15, com a criação de uma comissão temporária externa para atuar diplomaticamente junto ao Congresso norte-americano.

Formado por quatro senadores, o grupo viajará para Washington entre os dias 29 e 31 de julho e funcionará por 60 dias. O senador Nelsinho Trad (PSD-MS), presidente da Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional (CRE), foi o responsável pelo requerimento que criou esta comissão externa temporária. Trad argumenta que a ideia é construir uma “ponte de diálogo” com os Estados Unidos num momento em que os canais diplomáticos tradicionais enfrentam dificuldades.
Nelsinho Trad anunciou a iniciativa durante audiência pública em que a comissão debateu a crise tarifária com representantes do governo federal e do setor produtivo. Segundo o senador, a ideia da criação de uma comissão do Senado para discutir o tarifaço dos EUA foi da própria embaixada americana no Brasil.
Taxar os produtos brasileiros em 50% atingirá setores estratégicos do país. Para Jefferson Gomes, diretor de Desenvolvimento Industrial, Tecnologia e Inovação da Confederação Nacional da Indústria (CNI), presente na audiência da comissão do Senado, o tarifaço dos EUA imposto por Trump compromete negócios em médio e longo prazo, além de colocar em risco o emprego de milhares de pessoas.
“Os investimentos industriais e o relacionamento entre empresas serão duramente afetados. O superávit americano nas relações com o Brasil chega a US$ 43 bilhões em bens e US$ 165 bilhões em serviços. Essa medida prejudica os dois lados”, explicou Gomes.
Outro aspecto a ser analisado advêm da possível lei da reciprocidade que, caso o Brasil opte por adotar em resposta ao tarifaço norte-americano, pode afetar diretamente importadores nacionais, como alertou o presidente da Associação Brasileira dos Importadores (Abimp), Michel Platini Juliani.
“Caso o Brasil taxe igualmente os produtos americanos, atingiremos a indústria nacional que depende desses insumos”, pontou. (Com Agência Senado)


