Para a Nokia, 5G já pode ser AI-native

Nokia defende arquitetura AI-native e propõe ruptura estrutural das redes para era da inferência distribuída

Escritório da Nokia, em Dallas (Texas), EUA (crédito: Divulgação/Nokia)

A Nokia apresentou hoje, 1º de março, em evento pré-Mobile World Congress 2026, sua visão de redes AI-native, defendendo uma mudança estrutural na arquitetura das redes móveis e fixas para suportar cargas de trabalho baseadas em inteligência artificial distribuída.

Em keynote e sessão técnica, o CEO Justin Hotard afirmou que a transição vai além da ampliação de capacidade. Segundo ele, “não se trata mais de capacidade de pico e planejamento de tráfego. Trata-se de entender os dispositivos que exigem entrega determinística”, destacando que, para drones, robôs e veículos autônomos, “10 milissegundos de jitter não são um vídeo pixelado, mas uma questão crítica de segurança”.

Fim da arquitetura hierárquica

Hotard sustentou que redes organizadas em silos — acesso, transporte, core, data center e nuvem — não conseguem atender aplicações de inferência em tempo quase real. “Não podemos mais pensar que a arquitetura pode ser hierárquica. Ela precisa ser dinâmica e operar de forma contínua entre domínios”, afirmou.

O exemplo apresentado foi o de um enxame de robôs industriais. Parte da inferência ocorre localmente, outra em processamento próximo ao acesso rádio, outra no escritório central e outra em data centers de IA. Isso exige coordenação ponta a ponta com latência determinística e controle integrado de transporte, roteamento IP, switching e óptico.

Segundo a executiva Pallavi Mahajan, CTO e Chief AI Officer da Nokia, “a rede e o processamento vão se tornar elementos simbióticos”. Ela acrescentou que a empresa está reescrevendo funções tradicionais do RAN — como beamforming, estimação de canal e scheduling — com modelos de IA executados sobre plataformas aceleradas por GPU.

AI-RAN e desacoplamento hardware-software

A Nokia reiterou que sua estratégia AI-RAN incorpora a plataforma NVIDIA Aerial para executar cargas de RAN e IA no mesmo ambiente computacional, respeitando restrições de energia e custo do ambiente telco. A companhia sustenta que isso permite desacoplamento entre hardware e software, acelerando inovação por software.

Mahajan declarou que a meta é permitir inovação “na velocidade do software” e que, quando o 6G chegar, “será apenas uma atualização de software”.

A empresa também apresentou a nova geração de rádios Doksuri, com promessa de 30% mais eficiência energética e 20% menos peso, projetados para demandas de uplink associadas à chamada “IA física”.

Core, IP, data center e óptico integrados

No core, a Nokia afirmou que está incorporando fluxos agênticos para controle de políticas, traffic steering, slicing e controle de admissão, integrando IA diretamente às funções da rede, e não como camada externa.

Em IP routing, destacou a linha 7250 IXR e 7750 SR com SR Linux e MP5, voltadas para interconexão de data centers com requisitos de baixa latência, QoS e criptografia MACsec. Para data centers, mencionou a família 7220 IXR com automação orientada a eventos (EDA) e integração com Kubernetes.

Na camada óptica, apresentou soluções coerentes plugáveis de até 1,2 Tb/s e chipsets próprios Ice-T para interconexão intra-data center.

Governança e modelo “glass box”

Hotard afirmou que redes AI-native exigem transparência e auditabilidade. “Autonomia sem governança não funciona”, disse. Segundo ele, o modelo defendido é o de “glass box programmability”, no qual decisões automatizadas operam dentro de limites auditáveis definidos por intenção humana.

A companhia sustentou que a rede deixa de ser “um tubo estático” para se tornar “um sistema nervoso distribuído para conectar inteligência”.

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Rafael Bucco

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