Nokia avança em AI-RAN com operadoras globais e prevê trials comerciais em 2026
Parceria com NVIDIA entra em fase de testes funcionais; empresa afirma que AI-RAN já é aplicável ao 5G e não depende da chegada do 6G

A Nokia anunciou hoje, 1º, durante evento pré-Mobile Mobile World Congress, novos avanços na implementação do AI-RAN em redes comerciais, com testes funcionais realizados em parceria com operadoras como T-Mobile US, Indosat Ooredoo Hutchison e SoftBank Corp.. Segundo a companhia, os primeiros trials comerciais estão previstos para o final de 2026, com lançamento comercial inicial em 2027.
A empresa enfatizou que o AI-RAN não está condicionado à padronização do 6G e já pode operar sobre redes 5G atuais. Durante a apresentação técnica, a CTO Pallavi Mahajan afirmou que a arquitetura AI-RAN é “5G ready” e que, quando o 6G chegar, “será apenas uma atualização de software”.
Testes com operadoras
Nos Estados Unidos, Nokia, NVIDIA e T-Mobile realizaram testes no AI-RAN Innovation Center da operadora, em Seattle. A demonstração utilizou espectro comercial na faixa C (3,7 GHz), rádio Massive MIMO AirScale e smartphone 5G padrão. Segundo a empresa, cargas de trabalho de RAN e aplicação de IA (legenda de vídeo em tempo real) rodaram simultaneamente em um servidor NVIDIA GrassHopper 200 sem comprometer o desempenho determinístico.
Na Indonésia, a Indosat realizou a primeira chamada 5G Layer 3 do Sudeste Asiático com AI-RAN acelerado por GPU, utilizando rede cloud native aberta e rádios AirScale. Já a SoftBank demonstrou uso de capacidade computacional ociosa da infraestrutura AI-RAN para executar cargas externas de IA por meio do orquestrador AITRAS.
Além dessas operadoras, a Nokia informou que BT Group, Elisa, NTT DOCOMO e Vodafone Group participam do ecossistema AI-RAN apoiado na plataforma NVIDIA AI Aerial.
Ecossistema e infraestrutura
A empresa também ampliou o ecossistema de fornecedores para AI-RAN, incluindo Dell Technologies, Quanta Cloud Technology, Supermicro e Red Hat, com uso do Red Hat OpenShift como base de orquestração cloud-native.
Segundo a Nokia, a proposta é permitir que cargas de IA e funções de RAN rodem sobre infraestrutura COTS acelerada por GPU, reduzindo dependência de ciclos longos de hardware dedicado.
Modelo econômico e monetização
O CEO Justin Hotard afirmou que a mudança de arquitetura pode viabilizar novos modelos de monetização. Ele declarou que “a IA é a nova carga de trabalho que está remodelando as redes” e defendeu que operadores podem monetizar a entrega determinística de “tokens” de inteligência, especialmente em aplicações de veículos autônomos e robótica.
Hotard reconheceu que a transformação exige planejamento de investimento gradual. “Não é algo que possamos simplesmente ligar e mudar. É uma jornada que precisa ser planejada e executada ao longo de anos”, disse.
Questionado sobre urgência, afirmou que o desafio é de “zero a cinco anos” e que esperar até que a demanda se materialize pode significar perder a janela de adaptação.
Open RAN e padronização
A Nokia reiterou compromisso com Open RAN e afirmou que AI-RAN e Open RAN são complementares. Hotard declarou que a empresa continua “extremamente comprometida” com a interoperabilidade aberta.
Ao ser questionado sobre monetização e retorno, o CFO Marco Wirén reiterou que a empresa mantém meta de crescimento do lucro operacional na divisão de infraestrutura móvel a partir do patamar atual, com foco em margens entre 48% e 50%.



