Oi reúne acionistas após informar situação financeira; federações cobram ação urgente para evitar colapso operacional

Companhia afirma que encontro com minoritários tratou apenas de informações já públicas; sindicatos se reúnem com interventor

A Oi informou nesta sexta-feira (10) que realizou uma reunião com um grupo de acionistas minoritários que, em conjunto, detêm aproximadamente 16% das ações ordinárias da companhia. Segundo comunicado ao mercado, o encontro teve como objetivo prestar esclarecimentos sobre a situação econômico-financeira do Grupo Oi, sem divulgação de informações relevantes ainda não disponibilizadas ao mercado.

Oi Serede trabalhadores Federações

O encontro ocorreu no mesmo dia em que federações representativas dos trabalhadores em telecomunicações divulgaram informações sobre uma reunião com o interventor judicial da companhia, Bruno Rezende, na qual foram discutidos os impactos da crise financeira sobre a operação e os empregados.

Sindicatos relatam caixa inferior a R$ 20 milhões

Segundo a Federação Livre, a Fenattel e a Fitratelp, o interventor confirmou que a empresa dispõe atualmente de menos de R$ 20 milhões em caixa, montante que, segundo as entidades, seria insuficiente para manter as operações e honrar compromissos como salários e benefícios dos trabalhadores.

As federações afirmam ainda que Bruno Rezende atribuiu a deterioração da situação financeira ao atraso na conclusão da venda da operação de telefonia fixa e ao insucesso do leilão da Oi Soluções, que não teria recebido propostas.

Entidades defendem prioridade aos trabalhadores

Durante a reunião, as federações afirmaram que voltaram a defender que a empresa preserve os direitos dos cerca de três mil trabalhadores da Oi e sustentaram que, desde o início do ano, vinham alertando para a necessidade de adoção de medidas enquanto ainda havia recursos para pagamento das verbas trabalhistas.

Em nota, o presidente da Federação Livre e coordenador-geral do Sinttel-Rio, Luís Antônio Sousa da Silva, afirmou que a prioridade deveria ter sido a realização de desligamentos acompanhados do pagamento integral das rescisões, evitando que os empregados permanecessem em situação de incerteza.

No release distribuído à imprensa, as entidades, porém, adotam posição mais ampla, defendendo que a preservação dos empregos seja prioridade e que qualquer eventual redução do quadro ocorra apenas mediante negociação e com garantia integral dos direitos trabalhistas.

Risco para serviços essenciais

Outro ponto levantado pelas federações foi a possibilidade de interrupção de serviços considerados essenciais caso a situação financeira da operadora não seja revertida.

Segundo as entidades, durante a reunião foi discutido que dificuldades operacionais poderiam afetar serviços prestados pela companhia, incluindo infraestrutura utilizada por programas sociais e órgãos públicos.

No comunicado, as federações defendem que a crise “extrapola os interesses empresariais”, por envolver infraestrutura utilizada por milhões de brasileiros.

Pedido de atuação institucional

As entidades sindicais defendem a criação imediata de uma mesa institucional envolvendo o Governo Federal, a Anatel, o Ministério das Comunicações, o Ministério do Trabalho, a Casa Civil, o Tribunal Superior do Trabalho e outros órgãos públicos para buscar soluções que preservem a continuidade dos serviços, os empregos e os direitos dos trabalhadores.

Também propõem uma agenda permanente de acompanhamento da crise, com participação da empresa, dos trabalhadores, dos credores e do Poder Judiciário.

Recentemente (29/5), os representantes sindicais também estiveram em audiência com a deputada federal Érika Kokay (PT-DF), que se comprometeu com o caso.

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Paula Coutinho

Jornalista com mais de 20 anos de experiência profissional, com passagem pela grande imprensa, em jornais diários, semanários, revistas, rádios e emissoras de TV.

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