Oi consumiu R$ 2 bi em caixa operacional em 12 meses

Grupo encerrou janeiro de 2026 com caixa contábil de R$ 453,4 milhões, mas a maior parte dos recursos seguia vinculada; geração operacional ficou negativa em R$ 2,03 bilhões no acumulado de 12 meses

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A Oi encerrou janeiro de 2026 com caixa líquido contábil de R$ 6,6 milhões, segundo a demonstração consolidada de fluxo de caixa realizado do grupo em recuperação judicial apresentada à Justiça pelo administrador judicial.

O valor resulta do desconto do caixa restrito, mais de R$ 445 milhões que são reservados a pagamentos para a V.tal, e sintetiza a compressão da liquidez da companhia ao longo dos últimos 12 meses.

Os dados abrangem o período de fevereiro de 2025 a janeiro de 2026 e reúnem informações das recuperandas Oi S.A., Oi Brasil Holdings Coöperatief U.A. e Portugal Telecom International Finance B.V. No início da série, em fevereiro de 2025, o saldo inicial de caixa contábil era de R$ 1,396 bilhão. Ao fim de janeiro de 2026, o caixa contábil final caiu para R$ 453,4 milhões. Desse total, R$ 446,8 milhões estavam classificados como caixa restrito.

Geração operacional permaneceu negativa

No acumulado de 12 meses, os ingressos de caixa somaram R$ 2,298 bilhões, puxados principalmente por recebimentos de clientes e por serviços de uso de rede. No mesmo intervalo, os pagamentos atingiram R$ 4,269 bilhões, enquanto os investimentos ficaram em R$ 64,4 milhões.

Com isso, a geração operacional do grupo foi negativa em R$ 2,035 bilhões no período. O principal componente de desembolso foi a rubrica de fornecedores de materiais e serviços, que somou R$ 3,368 bilhões. Também pesaram sobre o fluxo de caixa os pagamentos com pessoal, de R$ 505 milhões, tributos, de R$ 233 milhões, e mediação, de R$ 305 milhões.

A trajetória de caixa foi pressionada principalmente pelos pagamentos a fornecedores, que superaram, isoladamente, o total arrecadado com clientes e serviços de uso de rede. Ao longo do período, a companhia também registrou impacto negativo com contingências e investimentos.

Entradas extraordinárias aliviaram parcialmente a pressão

Além da operação corrente, o fluxo de caixa consolidado registrou efeito positivo de R$ 1,053 bilhão em atividades classificadas como non core. Houve ainda contribuição de R$ 64 milhões em operações financeiras e impacto negativo de R$ 26 milhões em operações intragrupo.

Essas entradas ajudaram a reduzir parcialmente a deterioração do caixa, mas não evitaram a queda do saldo disponível. Segundo o documento, o saldo de caixa contábil final em janeiro de 2026 ficou 67,4% abaixo do valor registrado no início da série, em fevereiro de 2025.

Janeiro teve queda de arrecadação

Na comparação entre dezembro de 2025 e janeiro de 2026, os recebimentos caíram de R$ 147 milhões para R$ 88 milhões. A rubrica de clientes recuou de R$ 142 milhões para R$ 87 milhões, variação que, de acordo com a companhia, decorreu de menor arrecadação em janeiro.

No mesmo comparativo, a geração operacional piorou de resultado negativo de R$ 54 milhões para resultado negativo de R$ 121 milhões. Os pagamentos totais passaram de R$ 198 milhões para R$ 209 milhões. Na linha de fornecedores de materiais e serviços, o desembolso recuou de R$ 133 milhões para R$ 101 milhões, movimento que o grupo atribuiu ao pagamento de fornecedores essenciais para a continuidade das operações.

Também houve redução nos depósitos judiciais, de R$ 53 milhões em dezembro para R$ 13 milhões em janeiro. Segundo a companhia, a variação se explica pelo menor volume de resgates judiciais no mês. Já a rubrica non core passou de resultado negativo de R$ 25 milhões em dezembro para resultado positivo de R$ 29 milhões em janeiro, principalmente em razão do repasse da Sistel referente a novembro de 2025 ter sido realizado em dezembro.

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Rafael Bucco

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