IA, data centers e telecom puxam nova fase da TI no Brasil

Estudo da ABES mostra avanço de IA, data centers, telecom, LEO, ERP e nuvem no Brasil, com operadoras e infraestrutura entre os focos de investimento

ABES Nuvem data center

O mercado brasileiro de tecnologia da informação movimentou US$ 67,8 bilhões em 2025, segundo dados apresentados pela ABES no Estudo do Mercado Brasileiro de Software 2025. O valor representa crescimento de 18,5% em relação a 2024, quando o setor havia movimentado US$ 58,6 bilhões. Para 2026, a projeção informada pela entidade é de alta de 5,3%.

Com esse resultado, o Brasil manteve a 10ª posição no ranking mundial de investimentos em TI e ampliou sua participação na América Latina, passando de 34,7% para 38,4% dos investimentos regionais.

Ao comentar o novo ciclo do setor, Jorge Sukarie Neto, conselheiro da ABES, afirmou: “Saímos de um ciclo de aceleração impulsionado pela digitalização, pela adoção intensiva de nuvem e pelo avanço da IA, e entramos agora em uma fase de maior maturidade.” Segundo ele, “nesse novo momento, o crescimento continua, mas passa a ser orientado por eficiência, escala e governança”.

No recorte de 2024, o mercado brasileiro de TI somou R$ 321,36 bilhões, equivalentes a US$ 59,5 bilhões, considerando os mercados domésticos de software, serviços e hardware, além das exportações do segmento. Nesse ano, a participação do setor chegou a 3,8% do PIB brasileiro. O país também manteve a 10ª posição no ranking mundial de TI, com participação de 1,58% no mercado global. No mercado de software e serviços, o país permaneceu na 11ª posição global, com US$ 30,8 bilhões em mercado interno.

ABES Mercado Mundial de software e serviços

Fabio Martinelli, Senior Analyst Enterprise da IDC LATAM, destacou o peso regional do mercado brasileiro. “Mesmo em um cenário mais desafiador para 2026, o Brasil continua sendo o motor do mercado de TI na América Latina. O aumento da participação regional demonstra a resiliência do setor e a continuidade dos investimentos estratégicos no país”, disse.

Operadoras ampliam gasto com software, APIs e automação

No recorte setorial, o estudo aponta que 40,3% dos investimentos em software e serviços em 2024 foram direcionados aos setores de finanças e de serviços e telecom. O estudo também projeta que, em 2025, os investimentos das operadoras brasileiras em soluções ligadas a Customer Experience Management, Network Orchestration and Operation e Network APIs ultrapassarão US$ 1,1 bilhão.

A IDC inclui nesse movimento a adoção de capacidades como APIs, network slicing, RedCap IoT, redes móveis privativas e 5G Advanced, com impacto sobre sistemas voltados à automação da entrega, garantia de receita e monetização de novos serviços. O relatório também registra a expectativa de priorização do FWA como primeiro caso de uso viável para ampliar a monetização dos investimentos já feitos em 5G.

Data centers e IA ampliam demanda por infraestrutura

A IA foi o principal vetor de crescimento do mercado em 2025 e que, em 2026, passa a ocupar posição estrutural nas operações digitais. Sukarie afirma que as empresas passam a buscar “retorno concreto, integração entre tecnologias e maior racionalização dos custos”.

No eixo de infraestrutura, a IDC prevê que os gastos com nuvem pública no Brasil cheguem a US$ 3,5 bilhões em 2025, com crescimento próximo de 20%. Os serviços de data center devem atingir US$ 1,3 bilhão no mesmo período. O total de gastos com infraestrutura corporativa, incluindo servidores e armazenamento, deve superar US$ 1,1 bilhão, sendo cerca de 32% desse valor direcionado a casos de uso de IA.

Além disso, cerca de 90% das organizações de grande porte já contam com ao menos um caso de uso de IA ativo. Também registra que 42% das empresas brasileiras apontam soberania de dados como um dos desafios para migrar soluções para a nuvem. Na visão dos executivos de TI ouvidos pela IDC, 31,2% dos workloads seguem em ambiente on-premises, e 46% acreditam que suas despesas nesse tipo de ambiente cresceram ao longo de 2025.

Nos data centers, o estudo destaca o impacto da IA generativa sobre a capacidade de rede. O aumento do uso de GPUs eleva o tráfego de dados entre servidores e sistemas de armazenamento e amplia a demanda por redes de alta velocidade. A IDC informa que 28% dos provedores de data center no Brasil já adequam suas estruturas para atender exclusivamente à demanda de IA generativa e projeta aumento de 12% nos investimentos em 2025 para adaptar a infraestrutura de TI aos novos requisitos de tráfego.

IA generativa, ERP e segurança ganham escala

No recorte de IA, o estudo projeta que os gastos com projetos de IA e IA generativa no Brasil, considerando infraestrutura em nuvem ou on-premises, software e serviços, ultrapassaram US$ 2,4 bilhões em 2025, alta de 30% sobre 2024. O relatório também informa que 38% das empresas veem dificuldade em produtizar e escalar o uso de IA dentro da organização. Entre lideranças de TI no mundo, 45% apontam segurança como principal preocupação em relação a agentes de IA, e 40% mencionam confiabilidade.

As soluções de ERP movimentaram US$ 4,9 bilhões em 2025, com crescimento de 11% na comparação anual. Quase 30% dos gastos com ERP devem ser direcionados a soluções em SaaS. O estudo informa ainda que 22% das empresas brasileiras consideram métricas e objetivos de ESG um dos principais desafios para avançar na digitalização.

A segurança cibernética aparece como outra frente relevante. A ABES informa que ela já era prioridade para 36% das empresas brasileiras em 2025. Nisso, Sukarie afirmou: “O ambiente digital está mais complexo e interconectado. Por isso, segurança deixou de ser apenas uma questão técnica e passou a ser um tema de governança e continuidade de negócio.” A IDC projeta que as soluções de segurança, em hardware e software, somam US$ 2,1 bilhões no Brasil em 2025.

LEO, smartphones e PCs entram no radar de 2025

No segmento satelital, a IDC projeta avanço das soluções de órbita baixa. O estudo informa que 25% das empresas no Brasil acreditam que aplicarão conectividade LEO. A estimativa é de crescimento de 40% em assinantes até o fim do ano, na comparação com 2024. O relatório menciona uso dessas soluções em redes móveis privativas e aplicações de IoT em áreas com conectividade terrestre ou móvel insuficiente.

No mercado de dispositivos, o volume geral cresceu 5,4% em 2024, com smartphones respondendo por 78,9% do mercado. Para 2025, a IDC projeta o mercado de smartphones de US$ 10,3 bilhões, com aparelhos 5G representando mais de 70% do total em valor, ou US$ 7,3 bilhões. Os smartphones com IA embarcada devem movimentar US$ 7,5 bilhões.

Para PCs, a previsão é de mercado total de US$ 6,2 bilhões em 2025, alta de 11,2%. O setor de educação aparece como principal impulsionador, com expectativa de movimentar US$ 592 milhões e dobrar sua participação no total do mercado, de 5% para 10%.

Ao resumir a mudança de perfil do mercado, Sukarie afirmou: “O crescimento continua, mas com uma mudança clara de abordagem. Entramos em um ciclo em que não basta investir — é preciso extrair valor.”

 


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Adriano Camargo

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