Odata: México pode superar Brasil na atração de data centers
Diretor financeiro da Odata, Fernando Jaeger, ainda acredita na aprovação do Redata, mas observa que falta de aprovação rápida deve redirecionar projetos de IA e aportes de hyperscalers para o México

A Odata, operadora de data centers com presença no Brasil e outros países da América Latina, mantém expectativa de que o ReData avance no Congresso e avalia que a aprovação do regime pode alterar o ritmo de crescimento dos data centers de inteligência artificial no Brasil. Mas, o adiamento da medida, pode resultar em decisões definitivas para que os investimentos fluam a outros lugares do planeta – no caso da empresa, para o México.
Em entrevista ao Tele.Síntese, o Diretor Financeiro e de Novos Negócios da companhia, Fernando Jaeger, afirmou que o Brasil é visto por clientes hyperscalers como alternativa para receber grandes cargas de IA, mas a tributação sobre equipamentos importados ainda funciona como barreira para a decisão de investimento.
O executivo disse que, no cenário atual, a expansão da demanda no Brasil segue mais concentrada em nuvem, enquanto as cargas ligadas a inteligência artificial ainda aparecem com mais força no México. “No Brasil, se a gente conseguir resolver o ReData, a gente pode trazer uma virada aqui, trazer muito mais demanda”, afirmou. “Com uma aprovação de ReData, o crescimento pode ser exponencial”
O projeto do ReData foi aprovado pela Câmara dos Deputados em 25 de fevereiro de 2026 e seguiu ao Senado, onde travou. Em paralelo, a não votação do tema dentro do prazo da medida provisória original obriga ajustes na LDO para preservar a viabilidade fiscal do incentivo ainda neste ano.
Tributação das GPUs pesa mais que a obra civil
Na avaliação de Jaeger, da Odata, o ponto mais sensível para atrair cargas de IA está no custo dos equipamentos dos clientes, e não propriamente na infraestrutura física dos data centers. O diretor lembrou que o investimento em GPUs e servidores pode ser de quatro a cinco vezes superior ao valor aplicado pela operadora de data center em sua própria estrutura.
Por isso, mesmo que a Odata considere seu preço competitivo no Brasil, a conta final para o cliente continua pressionada pelo custo de importação dos equipamentos de processamento dentro das unidades. “O maior custo para o cliente final continua sendo os GPUs e servidores”, disse. Segundo ele, a carga tributária total incidente sobre esses equipamentos pode chegar em 80%, somados imposto de importação e tributos em cascata.
A leitura da empresa é que, sem uma condição tributária mais equilibrada em relação a outros mercados, parte relevante dessa demanda tenderá a ser instalada fora do país. “Se o ReData não for aprovado, México, a gente espera que possa ficar maior do que o Brasil, sim”, afirmou Jaeger.
Brasil e México concentram a disputa
Hoje, segundo o executivo, Brasil e México são os mercados de maior crescimento da Odata na América Latina. A diferença é que o México já vem capturando parte dessa nova onda de demanda por ter conseguido equacionar com mais antecedência o acesso a energia em alguns sites. No Brasil, a empresa diz ter se preparado com terrenos, soluções de energia e compra antecipada de equipamentos de infraestrutura, como geradores, UPS, baterias, chillers e subestações, para encurtar prazos de entrega quando a demanda se materializar.
Jaeger afirmou ainda que, desde a venda da Odata para a Aligned Data Centers, concluída no início de 2023, a empresa multiplicou em mais de quatro vezes sua escala de energia, em movimento acompanhado pela receita. No ano passado, a companhia anunciou financiamento verde de US$ 1 bilhão, que, segundo o diretor financeiro, está perto de ser totalmente consumido, com novas captações já no radar.
ReData pode ampliar geografia da demanda
Hoje, a Odata concentra seus ativos brasileiros em São Paulo e Rio de Janeiro, em linha com a concentração do mercado de nuvem nos maiores centros consumidores. A empresa opera quatro data centers em São Paulo e um no Rio. Para Jaeger, a aprovação do ReData poderia mudar parcialmente essa lógica ao estimular cargas de machine learning, que não dependem da mesma exigência de latência da nuvem, em outras regiões. “Se tiver uma condição favorável de energia, por exemplo, um cliente poderia escolher um data center no Nordeste, sim.”
A defesa de aprovação célere do ReData vem sendo repetida por diferentes agentes do setor. Em novembro de 2025, associações já pediam tramitação autônoma e urgente da proposta. Em fevereiro deste ano, a Câmara acelerou a tramitação com projeto próprio, desvinculado da MP original, que agora aguarda apreciação dos senadores.
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