Moody’s vê ReData como motor da expansão de data centers no Brasil
Agência de ratings Moody's avalia que novo regime fiscal impulsiona projetos de hiperescala no país, mas alerta para desafios estruturais de energia e regulação.

A Moody’s Ratings publicou hoje, 12 de janeiro, um relatório sobre o mercado global de data centers, com menções ao Brasil e seu papel no crescimento deste segmento de infraestrutura digital. O relatório destaca o papel do Regime ReData como um dos principais fatores regulatórios que deverão sustentar a nova onda de projetos de infraestrutura digital no Brasil. A agência avalia que, apesar de gargalos estruturais, o país está entre os mercados latino-americanos que mais avançam na tentativa de atrair hiperescaladores, ao lado de México, Chile e Argentina.
Vale lembrar que a MP do ReData ainda não foi convertida em lei. O tema voltará à pauta do Congresso em fevereiro, com o término do recesso legislativo.
De acordo com a Moody’s, a carga instalada de tecnologia da informação no Brasil e demais países da América Latina alcançou 1,36 GW em 2025, com quase 1 GW em construção. As taxas de vacância permanecem abaixo de 5% nos principais centros, como São Paulo, Querétaro (México) e Santiago (Chile), o que tem pressionado os preços de locação.
Além do ReData, a Moody’s menciona o Plano México, o Plano Nacional de Data Centers do Chile e o framework RIGI da Argentina como instrumentos de política pública com impacto direto sobre decisões de localização de data centers de hiperescala.
Apesar dos incentivos, o relatório aponta restrições de fornecimento elétrico e escassez hídrica como barreiras relevantes. No caso brasileiro, a agência chama atenção para a “legislação pendente sobre treinamento de IA”, que aumenta a complexidade regulatória dos projetos voltados à inteligência artificial. O assunto é tratado em PL também em tramitação no Congresso Nacional.
Capacidade global deve crescer 14% em 2026
No cenário global, a Moody’s projeta que a capacidade total de data centers chegará a 600 TWh em 2026, com aumento de 14% sobre o volume estimado para 2025 (525 TWh). A maior parte dessa expansão é puxada por hiperescaladores como Microsoft, AWS, Google e Oracle, que já pré-locaram a nova capacidade.
Entre 2025 e 2027, os seis maiores hiperescaladores dos EUA devem investir entre US$ 400 bilhões e US$ 600 bilhões em infraestrutura digital. A estimativa da Moody’s é que o total global de investimentos relacionados a data centers ultrapasse US$ 3 trilhões em cinco anos.
A agência observa que novas instalações acima de 300 MW entram em operação já em 2026, com foco crescente em IA e computação de alto desempenho. O crescimento mais acelerado ocorre em Estados Unidos, China, Europa, países da Ásia-Pacífico e América Latina.
Alta no custo das GPUs pressiona financiamento
O relatório também destaca que os custos com GPUs – principais ativos em data centers de IA – superam o custo da obra em si, exigindo modelos alternativos de financiamento, como leasing, project finance e emissão de títulos lastreados em ativos (ABS e CMBS). Startups de IA como OpenAI e Anthropic dependem de pré-contratos com big techs para viabilizar a infraestrutura.
Nos Estados Unidos, as taxas de locação em mercados como norte da Virgínia chegaram a US$ 190 por kW/mês, com aumento acumulado de até 39% em alguns polos entre 2023 e 2025. A expectativa da Moody’s é de continuidade do ciclo de valorização e reestruturação financeira dos projetos ao longo de 2026.
