Interessados já se apresentam ao chamamento da Winity

Para participar, interessados devem se comprometer com termo de confidencialidade. Abrint não vê oportunidades para provedores que já não tenham frequências arrematadas no leilão 5G. Já a Telcomp vê, e aguarda publicação do acórdão da Anatel para compreensão das condições e prazos estabelecidos.

Celular Chamada (Freepik)

A Winity começou a receber inscrições ao chamamento para provedores de pequeno porte interessados em contratar o espectro de 700 MHz, como determinado pela Anatel. O Tele.Síntese apurou que empresas de diferentes perfis, inclusive que não compraram frequências para 5G no leilão de 2021, preencheram o formulário colocado no ar pela atacadista móvel.

Desde sexta está no site da operadora o formulário para contato inicial dos interessados. Quem o preenche deve fornecer nomes para assinatura de um acordo de confidencialidade acerca do processo. A Winity diz que o chamamento já está aberto “às prestadoras determinadas pela Anatel”.

No site, além do formulário para as entrantes, há outro para as operadoras nacionais (Claro, TIM e Vivo), com as mesmas características.

Os chamamentos devem trazer os mesmo preços ofertados à Vivo em 2022 e permitir a contratação apenas de espectro. Somente após o fim das negociações com PPPs que o chamamento às nacionais será aberto, contemplando as cidades que ainda estiverem disponíveis.

Entre os principais interessados no chamamento para os pequenos é de se esperar a presença das operadoras menores que compraram frequências de 2,3 GHz, 3,5 GHz e 26 GHz no último leilão da Anatel. Ou seja, Algar Telecom, Brisanet, Unifique, Cloud2U (Yez!) e Ligga Telecom.

Mas também podem haver surpresas, como operadores móveis virtuais, provedores que considerem oportunidades em redes privadas ou IoT – embora “a conta não feche” para esta segunda categoria, de acordo com a Abrint, associação que reúne ISPs de todo o país.

Para a entidade, os remédios impostos pela Anatel à Winity em razão do acordo com a Vivo (que ainda não foi fechado) foram um avanço, mas dificilmente vão alterar o cenário em que a frequência de 700 MHz poderá ser contratada por provedores menores para conectividade de nicho.

“A Abrint reconhece muita evolução no tratamento do acesso ao espectro ao longo de todo o processo de discussão do caso Winity/Vivo. Entretanto, é preciso ter cuidado na análise simplificada do mero acesso à faixa de 700 MHz via chamamento público. Embora potencialmente possa atender aos interesses de algumas PPPs como Brisa Unifique, Cloud2u e Ligga, a solução de adensamento de áreas de atendimento envolve análise comercial que considere o porte do município e a validação do conjunto de remédios proposto pela Anatel”, observa Cristiane Sanches, líder do Conselho de Administração da entidade.

Ela acrescenta que o novo regulamento de uso de espectro, a ser colocado em consulta pública, será responsável pela forma de viabilizar o acesso de mais entrantes no mundo móvel, com produtos segmentados. “Já o uso da faixa de 700 MHz para soluções de rede privativas, especialmente no universo agro, é ainda mais peculiar e custosa e não se relaciona, absolutamente, com esse chamamento público. O acesso pensando em mundo agro depende também do novo RUE e de condições mais seguras de acesso ao espectro”, observa.

Para Luiz Henrique Barbosa, da Telcomp, o chamamento deve ser amplo, para todo tipo de empresa interessada em explorar o espectro. Ele vê oportunidades de negócios além da conectividade tradicional. “Estamos esperando a publicação do acórdão da Anatel ainda para entender o escopo do chamamento, que no nosso entendimento, deve ser amplo e aberto a todo o mercado, não apenas para quem empresas já detentoras de espectro”, enfatiza.

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Rafael Bucco

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