ICMS trava corrida do Brasil por data centers, diz Brasscom
Brasscom estima triplicar a capacidade de processamento do país, mas aponta o ICMS como principal entrave aos investimentos

O Brasil pode receber até US$ 92 bilhões em investimentos em infraestrutura de data centers até 2031, mas a elevada carga tributária continua sendo um dos principais obstáculos para que o país se torne um polo regional de processamento de dados e inteligência artificial.
A avaliação foi apresentada pela Brasscom durante webinar realizado nesta semana sobre infraestrutura computacional e atração de investimentos para data centers.
Segundo Sérgio Sgobbi, diretor de Relações Institucionais e Governamentais da entidade, a capacidade instalada de processamento no país pode saltar dos atuais 843 MW para 3,1 GW até o fim da década, movimento impulsionado pela expansão da inteligência artificial, da computação em nuvem e da demanda por infraestrutura digital. “Estamos falando de aproximadamente US$ 92 bilhões em investimentos até 2031”, afirmou.
ICMS concentra maior parte da carga tributária
Para a Brasscom, o principal fator que reduz a competitividade brasileira é a tributação incidente sobre equipamentos e infraestrutura de data centers.
Segundo Sgobbi, o custo de implantação no Brasil é entre 30% e 35% superior ao observado em mercados concorrentes da América Latina e nos Estados Unidos. Desse total, cerca de 64% da carga tributária corresponde ao ICMS estadual.
“Dois terços da tributação vêm dos estados”, afirmou o executivo ao defender a aprovação de medidas de incentivo no âmbito do Confaz.
A entidade defende a criação de condições tributárias semelhantes às praticadas por países que disputam investimentos internacionais em infraestrutura digital.
Brasil amplia dependência de processamento externo
A Brasscom também chamou atenção para o crescimento do déficit brasileiro na balança comercial de serviços computacionais. Segundo a entidade, o saldo negativo alcançou US$ 7,9 bilhões em 2025, refletindo a contratação de capacidade de processamento fora do país.
“O Brasil está fazendo seu processamento fora do país porque não é competitivo na atração desses investimentos”, afirmou Sgobbi.
A associação argumenta que a expansão da capacidade local poderia reduzir essa dependência e fortalecer o posicionamento do país na economia digital.
IA impulsiona corrida global por infraestrutura
Segundo os participantes, a expansão da inteligência artificial está acelerando a demanda global por capacidade computacional. Foi observado que a discussão sobre data centers deixou de ser apenas uma pauta tecnológica e passou a integrar estratégias nacionais de desenvolvimento econômico.
A Brasscom argumenta que o Brasil reúne condições favoráveis para participar desse movimento, incluindo disponibilidade de energia renovável, mercado consumidor relevante, estabilidade institucional e ampla oferta territorial para novos empreendimentos.




