Energia se torna principal fator competitivo para data centers de IA, aponta estudo da FGV
Relatório afirma que disponibilidade de energia firme, custo da eletricidade e rapidez na conexão ao sistema passam a determinar a atração de investimentos em infraestrutura digital.
A expansão da inteligência artificial está mudando os critérios de localização dos grandes data centers no mundo porque, se antes, fatores como conectividade e mercado consumidor ocupavam posição central, agora a disponibilidade de energia elétrica competitiva, previsível e de baixo carbono tornou-se o principal elemento de decisão para novos investimentos. Essa é uma das conclusões do estudo “Potenciais Impactos Socioeconômicos da Consolidação do Brasil como Hub Internacional de Infraestrutura Digital na Era da Inteligência Artificial”, elaborado pela FGV Projetos para a Scala Data Centers e a Norgás, e apresentado à imprensa em evento em Brasília, durante esta terça-feira, 7.

O relatório aponta que a crescente demanda computacional imposta por aplicações de inteligência artificial elevou significativamente o consumo energético dos data centers, tornando o acesso à eletricidade um fator determinante para a competitividade dos países.
Segundo o estudo, os hubs internacionais mais bem-sucedidos compartilham características comuns: energia abundante, previsibilidade regulatória, expansão coordenada das redes elétricas e custos competitivos de operação.
Energia já representa o maior custo operacional
A FGV destaca que a eletricidade passou a responder pela maior parcela dos custos operacionais dos data centers.
Por isso, a competitividade brasileira dependerá da capacidade de oferecer energia firme, disponível 24 horas por dia, com preços previsíveis e conexão rápida ao sistema elétrico.
“O custo da energia elétrica representa o maior custo operacional de data centers, e a atratividade e competitividade do Brasil dependem, de forma decisiva, do preço final da energia, incluindo tributos, encargos e condições de contratação”, afirma o relatório.
O estudo recomenda ampliar mecanismos como autoprodução, contratos flexíveis e novos modelos comerciais para reduzir custos e aumentar a previsibilidade para investidores.
Brasil possui vantagem competitiva
Na avaliação da FGV, o Brasil reúne condições estruturais favoráveis para disputar investimentos globais em infraestrutura digital.
Entre elas estão a matriz elétrica predominantemente renovável, a possibilidade de expansão da geração e a complementaridade entre fontes hidrelétricas, eólicas, solares e gás natural, capazes de fornecer energia firme para aplicações críticas de inteligência artificial.
Apesar desse potencial, os pesquisadores alertam que o país ainda enfrenta dificuldades para conectar grandes consumidores ao Sistema Interligado Nacional dentro dos prazos exigidos pelos investidores.
O relatório defende que o planejamento da expansão da transmissão passe a considerar explicitamente a implantação de grandes data centers como vetor de desenvolvimento econômico.
Coordenação entre energia e infraestrutura digital
O estudo afirma que a corrida global pela inteligência artificial está tornando indispensável a coordenação entre planejamento energético e política digital.
Segundo a análise, os países que lideram esse mercado conseguem alinhar expansão da rede elétrica, disponibilidade de energia renovável, estabilidade regulatória e políticas industriais voltadas à infraestrutura digital.
Para a FGV, o Brasil ainda precisa reduzir o tempo de acesso à rede elétrica, criar mecanismos específicos para cargas eletrointensivas e integrar as políticas de energia, indústria e transformação digital.
Infraestrutura digital depende de energia
Ao comparar o Brasil com hubs internacionais como Virgínia (Estados Unidos), Singapura, Dubai, Portugal, Japão, Canadá e o corredor europeu FLAP-D (Frankfurt, Londres, Amsterdã, Paris e Dublin), o estudo conclui que energia e sustentabilidade passaram a ser os principais fatores de competitividade para a infraestrutura digital voltada à inteligência artificial.
Na avaliação dos autores, a combinação entre energia renovável, ambiente regulatório estável e capacidade de expansão do sistema elétrico definirá quais países conseguirão atrair a próxima onda de investimentos em data centers de alta capacidade.




