Elea terá data center de até 100 MW em Belém, no Pará

Empreendimento começa com capacidade de 7,5 MW e fornecimento de energia renovável pela AXIA; operação está prevista para o segundo trimestre de 2027, com investimento inicial de R$ 250 milhões

A Elea Data Centers anunciou hoje, 26, um projeto para instalar em Belém, no Pará, um data center neutro voltado ao processamento de aplicações de inteligência artificial. A unidade, denominada BEL1, terá capacidade inicial de 7,5 MW e previsão de entrada em operação no segundo trimestre de 2027. O investimento inicial previsto é de R$ 250 milhões.

Segundo a empresa, o projeto poderá ser ampliado em etapas até atingir 100 MW. A Elea afirma que a capacidade inicial já está respaldada pela demanda de clientes âncora de grande porte, mas não revelou quais empresas participarão do empreendimento, o volume contratado ou o investimento previsto.

A Elea ficará responsável pela implantação e pela operação do data center. A AXIA Energia fornecerá eletricidade renovável ao empreendimento e participará da avaliação das soluções necessárias às futuras ampliações de capacidade.

Projeto ficará próximo à subestação Miramar

O data center será construído nas proximidades da subestação de alta tensão Miramar, operada pela AXIA. A localização busca facilitar o atendimento da demanda elétrica inicial e das etapas posteriores de expansão.

O fornecimento será estruturado por meio de um contrato de compra de energia, conhecido pela sigla PPA. As empresas não divulgaram a duração do contrato, o volume de energia contratado nem os ativos de geração que atenderão especificamente à unidade.

O projeto começou a ser estruturado em 2024, quando Belém foi confirmada como sede da Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas de 2025, a COP30, segundo Alessandro Lombardi, CEO e fundador da Elea.

A empresa apresenta o BEL1 como o primeiro data center neutro dedicado à IA na Região Amazônica. Essa classificação é uma declaração da própria companhia. O material divulgado não apresenta levantamento independente sobre outros projetos existentes ou em desenvolvimento na região.

Belém amplia papel nas rotas de conectividade

Além da disponibilidade de energia, a Elea aponta a conectividade como um dos fatores considerados na escolha de Belém. A capital paraense integra a infraestrutura do programa Norte Conectado, que utiliza infovias de fibra óptica para ampliar a capacidade de transmissão de dados na região.

A cidade também pode funcionar como rota complementar à infraestrutura concentrada em Fortaleza, principal ponto brasileiro de chegada de cabos submarinos internacionais. A diversificação geográfica reduz a dependência de um único corredor para o transporte de dados entre as regiões Norte e Nordeste e sistemas internacionais.

A empresa menciona ainda a expansão de rotas costeiras de fibra associadas a cabos que conectam a América Latina à Europa, mas não especifica quais sistemas serão utilizados diretamente pelo BEL1 nem quais operadoras fornecerão a conectividade ao empreendimento.

A unidade de Belém ampliará a distribuição geográfica da Elea, que opera hoje nove data centers em cinco áreas metropolitanas brasileiras (São Paulo, Brasília, Rio de Janeiro, Porto Alegre e Curitiba). A companhia também desenvolve o projeto Rio AI City, no Rio de Janeiro, planejado para alcançar 1,5 GW de capacidade destinada a cargas de inteligência artificial.

A AXIA, antiga Eletrobras, informa possuir 81 usinas e responder por 17% da capacidade brasileira de geração e por 37% das linhas de transmissão do Sistema Interligado Nacional.

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Da Redação

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