Com desempenho fraco em telecom e componentes, indústria eletroeletrônica revê expectativas

Momento atual é de retração da produção, em linha com movimento iniciado em 2021. Setor de telecom é um dos destaques negativos. Expectativa para este ano passou a ser de ligeira queda no faturamento na indústria eletroeletrônica.

Crédito: Freepik

As expectativas da indústria eletroeletrônica para 2023 mostram declínio, juntamente com a produção. Dados consolidados pela Abinee, associação do setor, apontam que, para 2023, as fabricantes estimam estabilidade no faturamento, crescimento das exportações em ritmo mais baixo que no ano passado, e importações estáveis.

Os dados mostra que em abril de 2023, a produção da indústria elétrica e eletrônica, conforme dados do IBGE agregados pela Abinee, caiu 6,1% em relação ao mês imediatamente anterior, com ajuste sazonal. Essa queda anulou o crescimento de 4,2% observado no mês de março.

A produção do setor vem caindo desde meados do ano passado. Ao analisar os resultados apontados desde junho de 2022. A retração observada em abril de 2023 resultou do recuo de 9,4% na produção de bens da área eletrônica e da queda de 2,9% na área elétrica em relação a março.

Os principais destaques na área eletrônica foram as fortes quedas na produção de componentes eletrônicos (-35,8%) e equipamentos de comunicação (-30,1%).

Em seguida, foram observadas retrações na produção de itens de informática e periféricos (-10,1%) e instrumentos de medida (-4,0%).

Destaca-se que os aparelhos de áudio e vídeo (+25,0%) foram o único segmento da área eletrônica que cresceu.

Primeiro trimestre

No acumulado de janeiro a abril de 2023, a produção industrial do setor eletroeletrônico recuou 9,0% em relação a igual período de 2022.

Este resultado foi consequência da queda de 9,5% da área eletrônica e da redução de 8,5% da área elétrica.

O principal destaque na área eletrônica foi a forte retração na produção de componentes eletrônicos, que atingiu 45,4% no acumulado dos quatro primeiros meses deste ano em relação ao igual período do ano passado.

Este resultado foi influenciado, principalmente, pela retração da demanda de outros setores que utilizam componentes eletrônicos na sua atividade produtiva.

Verificou-se também queda na produção de equipamentos de comunicação (-18,2%) e bens de informática e periféricos (-6,2%).

Por outro lado, cresceu a produção de aparelhos para áudio e vídeo (+19,2%) e de instrumentos de medida (+9,8%).

Ladeira abaixo

A Abinee compila há anos o índice de produção do setor. Seu levantamento aponta que há 2 anos começou uma queda contínua na produção, que havia subido no ano anterior. “A média móvel anual da produção total da indústria eletroeletrônica começou a indicar perda de dinamismo da atividade desde o 2º semestre de 2021”, observa o relatório da entidade.

O setor eletroeletrônico brasileiro sofre mais das flutuações da demanda e oferta internacional do que outras indústrias locais. No cômputo geral, considerando a indústria local como um todo, a produção caiu 0,6% em relação a abril de 2022. Mas o setor eletroeletrônico apresentou queda de 13,9% nesta métrica.

O resultado se reflete nas expectativas. Atualmente, tem mais industrial eletrônico prevendo queda nas receitas. Segundo nova projeção, estas devem somar R$ 217,6 bilhões, ligeiramente inferior aos R$ 218,2 bilhões registrados em 2022.

As exportações vão crescer, estimam, 5%, para US$ 7 bilhões. De 2022 para 2021, no entanto, a alta foi de 16% nas vendas ao exterior. Os investimentos também devem andar de lados, ficando em R$ 3,74 bilhões, uma vez que costumam acompanhar a variação das receitas.

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Rafael Bucco

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