Pesquisa mapeia descompasso entre internet e educação nos municípios

Índice de Progresso Social (IPS) avalia o acesso à internet entres os fundamentos do bem-estar e revela disparidades. Qualidade da conectividade é menor que o acesso ao conhecimento básico na maioria dos estados.
Pesquisa IPS Brasil analisou o indicador de Acesso à Informação e Comunicação em cada município | Foto: Freepik
Pesquisa IPS Brasil analisou o indicador de Acesso à Informação e Comunicação em cada município | Foto: Freepik

A primeira avaliação do Índice de Progresso Social (IPS) no Brasil a nível municipal, divulgada na semana passada, mostra que a qualidade da conectividade é menor que o acesso ao conhecimento básico na maioria dos estados. Os dados também revelam a diferença entre as capitais e as demais cidades.

O IPS Brasil é um índice de 0 a 100, que leva em conta 12 indicativos, sendo um deles o Acesso à Informação e Comunicação, que avalia a cobertura da rede móvel (4G e 5G) e sua qualidade, além da densidade do acesso à internet banda larga e à telefonia fixas.

Na pesquisa, o Acesso à Informação e Comunicação está vinculado aos “Fundamentos do Bem-estar”, que envolve também o Acesso ao Conhecimento Básico, Saúde e Qualidade do Meio Ambiente. Juntos, eles formam um conjunto de elementos para identificar “se há condições efetivas para ampliação da qualidade de vida de uma população”, avaliando se “existem estruturas implementadas” suficientes para isso, segundo o relatório.

O indicador de Acesso ao Conhecimento Básico analisa o resultado do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), além de evasão e reprovação. O de saúde, consiste em dados como expectativa de vida e mortalidade. Por fim, a medição da qualidade do meio ambiente inclui a quantidade de áreas verdes, focos de calor e emissões de CO² por habitante.

A dimensão de bem-estar obteve pontuação média de 67,10 no IPS Brasil. Já a nota individual do Acesso à Informação e Comunicação no país é de 69,77 – abaixo do acesso ao conhecimento básico educacional (71,82), mas acima da qualidade do meio ambiente (68,2) e saúde (58,59). Contudo, esse cenário varia quando a análise é por estado (veja lista mais abaixo), havendo locais em que a conectividade tem um desempenho menor que outros elementos.

“Cada vez mais o acesso a tecnologias assume um papel central na inclusão social e no desenvolvimento socioeconômico. Os municípios com os melhores desempenhos no componente Acesso à Informação e Comunicação estavam sobretudo nas Regiões Sudeste e Sul do país. Em contrapartida, havia maior déficit neste componente nos municípios do interior da Região Nordeste e na Amazônia Legal”, resume o estudo.

Por estado

Na dimensão estadual, o destaque do indicador de conectividade é menor, apresentando índices inferiores a outros elementos do grupo, a exemplo do Maranhão, onde a pontuação é de 56,45, a menor do Brasil, abaixo da saúde (59,86), qualidade do meio ambiente (60,87) e acesso ao conhecimento básico (68,42).

Já entre as capitais do país, o indicador de acesso à informação e comunicação apresentou a maior nota entre os demais do grupo de bem-estar. A melhor pontuação foi de Florianópolis (SC), com nota 84.45, e a pior de Boa Vista (RR), 73,20.

Vistos como complementares, o acesso à educação e à conectividade são tidos como uma das prioridades do atual governo, que trabalha com a meta de levar internet com qualidade suficiente para atividades pedagógicas a todas as escolas do país até o final de 2026.

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Carolina Cruz

Repórter com trajetória em redações da Rede Globo e Grupo Cofina. Atualmente na cobertura dos Três Poderes, em Brasília, e da inovação, onde ela estiver.

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