Claro vê baixa demanda por planos de 1 Gbps e aponta falta de dispositivos

Marcelo Sarmento, diretor de banda larga da Claro, diz que maioria dos celulares e tablets ainda não são compatíveis com WiFi 6. Também aponta falta de capacidade das provedoras de conteúdo entregarem em alta velocidade.

Crédito-Freepick.

Marcelo Sarmento, diretor de banda larga da Claro, afirmou nesta terça-feira, 22, que a contratação de planos de banda larga fixa de 1 Gbps é baixa entre clientes residenciais. Segundo ele, uma série de fatores explicam este fato.

Em primeiro lugar, falou no evento Teletime Tec, em São Paulo, são poucos os dispositivos que navegam em redes WiFi de 1 Gbps. O padrão mais comum de WiFi no mercado atualmente, o WiFi 5, entrega velocidades de 866 Mbps nos melhores cenários (sem paredes ou interferências entre o roteador e o smartphone).

Outro padrão em expansão, o WiFi 6, ainda tem baixa penetração, e só entrega a velocidade de 1,3 Gbps também em cenários ideais, difícil de se encontrado nas residências. Tablets e smarphones, disse, também são ainda majoritariamente compatíveis com o WiFi 5.

Sarmento disse ainda que a própria cadeia de conteúdo não está pronta para entregar velocidades de 1 Gbps. “O cliente pode assinar um plano nesta velocidade, mas será que Google, Facebook, já têm portas disponíveis? Não adianta colocar 1 Gbps em casa se o provedor do conteúdo não tiver uma porta de 1 Gbps para transmitir o conteúdo para o cliente. É preciso entregar o 1 Gbps em toda a cadeia”, observou.

A Claro hoje em dia vende planos de 1 Gbps tanto em fibra óptica, como em redes HFC (cabo coaxial). A companhia tem 30 milhões de casas passadas com cabo e 6 milhões com fibra – estas, em 430 cidades.

Em fibra, a rede é inteiramente G-Pon, já preparada para atualização ao padrão XGS-Pon, 10x mais rápido. Os fornecedores da rede óptica da Claro são Furukawa (cabos), Cisco, Huawei, ZTE.

Migração do cabo para a fibra

Sarmento contou no evento que a Claro está migrando clientes do cabo coaxial para a fibra aos poucos, conforme a demanda. A estratégia, que já vem de alguns anos, é ir aproximando a fibra da casa do cliente. A rede de acesso coaxial sai da casa do cliente até um hub. Este hub já chegou a ter mais de 1 mil casas para o atendimento via cabo. Atualmente são 125.

“Reduzir a quantidade de clientes atendidos em um hub HFC para menos, para 75, não gera os benefícios de já migrar para o modelo em fibra, cujo sistema reúne 64 portas, é mais eficiente e menos custoso por ser uma tecnologia passiva”, afirmou.

Ele não teceu previsões, porém, de quando espera concluir – ou mesmo se a Claro vai – levar 100% da base para a fibra. “Tem que haver demanda. Hoje temos muitos casos de clientes satisfeitos com o HFC, que entrega as mesmas velocidades, e não desejam mudar para a fibra, receber técnico em casa, ainda em função de reflexo da pandemia. Então, migrar 10 milhões de clientes é um desafio”, falou.

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Rafael Bucco

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