Falta de dispositivos compromete implementação de redes privativas 5G

Carência de equipamentos com suporte à quinta geração móvel empurra empresas e integradores a permanecer no 4G; projeção indica que misto das duas gerações móveis mais recentes deve liderar instalações de redes privadas nos próximos anos
PAINEL 3: Desafios operacionais das redes privativas
Miriam Aquino, diretora do Tele.Síntese (alto, à esq.); Diego Aguiar, da Telefónica Tech (alto, à dir.); Luciano Saboia, da IDC (embaixo, à dir.); e Leandro Avanço, do IPT (embaixo, à esq.); em painel sobre os desafios operacionais das redes privativas

Um dos motivos para as redes privativas 5G ainda não terem decolado é a falta de dispositivos compatíveis com a quinta geração móvel, indica Leandro Avanço, gerente de Sistemas Embarcados e Internet das Coisas (SICE) do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT). Desse modo, empresas interessadas na instalação de redes móveis corporativas e integradores de tecnologia se veem sem alternativa a não ser optar pela tecnologia 4G.

“Uma coisa que temos percebido é uma dificuldade de conseguir dispositivos em 5G”, afirmou Avanço, nesta sexta-feira, 28, em painel do evento IoT e as Redes Privativas, realizado pelo Tele.Síntese. “Como poucos fornecedores têm dispositivos [com suporte 5G], isso gera desafios para a prototipagem”, acrescentou.

Avanço relatou que o IPT tem desenvolvido uma solução de conectividade para uma planta de moagem. Contudo, o instituto não tem encontrado componentes e dispositivos 5G capazes de viabilizar a realização do protótipo com a tecnologia celular mais recente.

“Além disso, um dos desafios que fez com que a implementação dessas redes demorasse foi o ato normativo da Anatel [Agência Nacional de Telecomunicações] que determinou o tamanho das antenas de 3,7 Ghz. A altura de seis a sete metros é muito baixa”, explicou.

Na avaliação de Diego Aguiar, diretor de Operações da Telefónica Tech IoTCo, a adoção das redes privativas 4G ainda é mais comum porque o ecossistema LTE se encontra em estágio mais desenvolvido. Sendo assim, por ser uma tecnologia recente, o 5G ainda precisa avançar na curva de maturação.

O diretor da unidade de transformação digital da Vivo também apontou que, como parte considerável da indústria brasileira não atingiu nível avançado em conectividade, as primeiras redes privativas 5G devem ser utilizadas por clientes que já experimentaram os benefícios das conexões privadas em 4G.

“O 5G potencializa os casos de uso de quem já usa o 4G. No nosso caso, quando implementados uma rede privativa 4G, já deixamos o caminho pavimentado para essa evolução”, destacou Aguiar.

Projeções de uso

No painel, Luciano Saboia, diretor de Pesquisa e Consultoria de Telecomunicações para a América Latina da IDC Brasil, apresentou uma pesquisa global sobre tecnologias utilizadas em redes privativas. De acordo com os dados, atualmente, 38% das instalações contam com apenas conectividade 4G, 36% fazem um mix entre 4G e 5G e apenas 26% se concentram exclusivamente na quinta geração móvel.

Além disso, a pesquisa da consultoria indica que, daqui a dois ou três anos, as redes privativas mistas em 4G e 5G tendem a liderar o cenário, sendo responsáveis por 57% das ativações.

“Vale perceber que 3/4 dos entrevistados apontam desafios no que diz respeito à integração para implantação da rede móvel privada. Isso não é uma incumbência apenas das operadoras ou dos fabricantes de equipamentos, mas de toda a indústria, passando por hospedagem, cloud [nuvem], plataformas de IA [Inteligência Artificial] e desenvolvedores de software e hardware”, avaliou Saboia.

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Eduardo Vasconcelos

Jornalista e Economista

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