Claro e Globo investem para reduzir delay no streaming da Copa do Mundo

Globo, Claro e TIM aumentam capilaridade de CDNs para reduzir a latência nas transmissões da Copa por aplicativo. Mas alertam que experiência vai variar muito, de acordo com a banda larga, WiFi e até celular dos usuários. [Atualizado]

Imagem de divulgação da Fifa para a Copa do Mundo do Catar

A Copa do Mundo da Fifa deste ano, a ser realizada no Catar a partir de domingo, 20, será pela primeira vez assistida por milhões de brasileiros através de plataformas de streaming oficiais que reproduzem os canais Globo e Sportv, como o Globoplay ou o Claro TV+.

Para as empresas que trabalham com o conteúdo, no entanto, isso leva a uma preocupação: haverá delay para o espectador que estiver em aplicativo, se comparado com aquele que está usando a TV aberta? Para o consumidor final, a grande questão é: a vizinhança vai gritar gol antes de mim por causa de uma transmissão com atrasos?

Segundo a Globo, que tem os direitos de transmissão no país com exclusividade para a TV, o risco de delay [atraso] nos aplicativos é real. “O Globoplay é um serviço que utiliza o protocolo IP nas suas transmissões, e qualquer serviço que esteja apoiado nesta solução tecnológica está sujeito a delay em relação a transmissões por meio da TV terrestre tradicional”, diz a empresa.

A razão é técnica. “O atraso no streaming ao vivo pela internet depende de diversos fatores, muitos dos quais não estão no controle da Globo, e sua intensidade pode variar de acordo com o dispositivo onde o consumo está ocorrendo e com as condições de rede local do usuário, da sua operadora, do serviço de streaming e, no caso das transmissões por TV paga, de seus provedores”, acrescenta.

Apesar disso, a empresa melhorou sua infraestrutura de rede para minimizar os atrasos. “Evoluímos, desde a última Copa, nossa arquitetura de rede com a expansão da nossa CDN (Content Distribution Network) com mais servidores mais próximos dos usuários, dentro do seu provedor ou conectados no ponto de troca de tráfego (PTT) mais próximo”, afirma, em nota enviada ao Tele.Síntese.

A empresa também aperfeiçoou a arquitetura de sua rede de distribuição, mas avisa que por questões de segurança, não consegue eliminar o delay. “Esses diversos servidores conversam entre si, em uma arquitetura multicamadas, de forma a minimizar a distância do usuário até o conteúdo. Um ponto muito importante que deve ser levado em consideração é que o Globoplay é uma plataforma que atende milhões de usuários e é necessário garantir um equilíbrio entre segurança operacional e performance/delay, de modo a permitir que todos os nossos consumidores tenham acesso de qualidade aos conteúdos”, diz.

A Globo transmitirá o evento no portal Globo Esporte, na internet, no Globoplay, pela Sportv e também pela TV aberta. E 22 jogos da Copa também serão, desta vez, transmitidos pelo Youtube, pelo streamer Casimiro. O aplicativo da Fifa também fará  o streaming da Copa no Brasil.

A Copa na rede da Claro

A Claro, maior operadora de TV paga do Brasil, também reforçou sua rede para diminuir a latência no streaming dos jogos da Copa do Mundo da Fifa no Catar. Segundo o diretor de produtos de vídeo da operadora, Alessandro Maluf, o atraso que existia no passado na TV paga em relação à TV aberta não vai existir graças a investimentos recentes da empresa.

Tanto assinantes da operadora em cabo coaxial como em fibra não terão delay. Já os assinantes dos serviços de streaming da empresa enfrentarão algum atraso ao ver os jogos da Copa, que vai variar de acordo com a plataforma.

“No TV Box Claro+ ligada em nossa rede, a latência será mínima, imperceptível ou no máximo 10 segundos. Quem assina o Claro TV+, mas não usa a nossa banda larga, terá um delay maior, de até 40 segundos”, contou ao Tele.Síntese.

Segundo ele, essa diferença é inevitável pois fatores como a velocidade do acesso de banda larga, a qualidade da rede utilizada, o WiFi congestionado e até o poder de processamentos dos celulares, tablets ou smartvs influenciam na velocidade de recepção e conversão do sinal.

Com o TV Box Claro+ utilizado dentro da rede da operadora, afirma, a empresa tem mais controle sobre todas essas variáveis. O Claro TV+ e o TV Box da empresa transmitem os canais Globo e Sportv.

“Investimos nos últimos seis meses no redimensionamento dos sistemas. Ampliamos as CDNs, contratadas de múltiplos parceiros, para que a rede de distribuição esteja o mais próximo possível do consumidor. Fizemos investimentos em data center, em nuvem, para aumentar nossa capacidade de acessos simultâneos à plataforma, de maneira escalável conforme a demanda. E temos uma série de conexões com a Globo, mas essas já existiam”, resume.

O investimento no aumento de capacidade da rede para transmissão do jogos se reflete não apenas na baixa do delay, como também na qualidade do vídeo. Maluf diz que a rede da Claro está preparada para a transmissão integral da Copa em 4K pelo Sportv, o que ainda não existiu na edição de 2018 do mundial. “Devemos ter mais TV ligadas na Copa do que tivemos nas Olimpíadas”, frisa.

A expectativa da empresa é que a audiência em 4K seja de 1 milhão de torcedores. Tanto assinantes da TV paga tradicional em 4K, como no TV Box Claro 4K poderão acessar o canal. A operadora também terá transmissão com acessibilidade para pessoas com deficiência visual ou auditiva (canal 536) e um canal com resumos da Copa, tabelas e outras informações (canal 444), seja na TV, seja no app.

A TIM reforça a rede

A TIM avisou na segunda-feira, 21, após a publicação deste texto, que também adotou iniciativas para apromorar a experiência em vídeo ao vivo por streaming para a Copa do Catar. A companhia diz que aumentou a capacidade contratada de 13 centros de distribuição de tráfego distribuídos em 11 cidades, aumentou o número de “peerings” (links para troca de tráfego).

Diz que as medidas resultam em “pontos próximos para alimentação de dados, garantindo alta qualidade e baixíssimo tempo de resposta na entrega da transmissão em 4K”, tanto em celulares, como entre os assinantes da banda larga fixa TIM Live.

Marco Di Costanzo, Diretor de Desenvolvimento de Rede da TIM Brasil, explica: “Por meio da capilarizacão dos pontos de distribuição de conteúdo e da expansão de capacidade, conseguimos colocar o conteúdo mais próximo do consumidor final, reduzindo o tempo de transmissão e aumentando, ao mesmo tempo, a capacidade de escoamento do tráfego”. Segundo ele, a rede foi preparada para picos de tráfego ocasionados pela Copa.

[Este texto foi atualizado em 21/11 para inclusão das informações sobre a TIM]

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Rafael Bucco

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