China critica ameaça de sanções dos EUA à IA e busca ampliar cooperação tecnológica com o Brasil

Em declarações divulgadas pela agência estatal Xinhua, governo chinês rebate acusações de Washington contra empresas de inteligência artificial e, em conversa com Lula, Xi Jinping defende aprofundamento da cooperação bilateral em IA.

A China elevou nesta segunda-feira (27) o tom contra as medidas adotadas pelos Estados Unidos (EUA) no setor de inteligência artificial (IA) e, paralelamente, reforçou a disposição de ampliar a cooperação tecnológica com o Brasil. As duas posições foram divulgadas pela agência estatal chinesa de notícias Xinhua.

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De um lado, o Ministério do Comércio chinês criticou as ameaças de sanções dos EUA contra empresas chinesas de IA. De outro, durante conversa telefônica com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o presidente Xi Jinping afirmou que Pequim pretende fortalecer a coordenação bilateral e ampliar a cooperação em áreas estratégicas, entre elas a inteligência artificial.

China rejeita acusações dos EUA

Segundo a Xinhua, o Ministério do Comércio da China reagiu a declarações de autoridades norte-americanas que defendem investigações contra empresas chinesas por suposta utilização indevida de modelos avançados desenvolvidos nos Estados Unidos e cogitam a aplicação de sanções por alegado roubo de propriedade intelectual.

Para o governo chinês, as acusações não possuem base factual nem jurídica e representam uma tentativa de conter o avanço tecnológico do país.

O porta-voz do ministério afirmou que Washington vem politizando questões científicas e tecnológicas e utilizando sanções contra empresas chinesas “sob todo tipo de pretexto infundado”.

A China também argumenta que a inovação em inteligência artificial não pertence exclusivamente a um único país e sustenta que empresas chinesas investem há anos em pesquisa básica, alcançando liderança em diferentes áreas, incluindo capacidades de programação e desenvolvimento de modelos.

Segundo a Xinhua, Pequim ainda afirma que a técnica de destilação de modelos é amplamente utilizada pela indústria global e que empresas norte-americanas também recorrem a modelos chineses de código aberto em suas pesquisas e treinamentos.

O governo chinês destacou ainda que quase 200 startups dos Estados Unidos manifestaram oposição a eventuais restrições ao uso de modelos chineses open source, por entenderem que isso reduziria a competitividade da própria indústria norte-americana.

Ao final da manifestação, o Ministério do Comércio advertiu que adotará “todas as medidas necessárias” caso interesses chineses sejam afetados por novas sanções.

IA ganha espaço na agenda Brasil-China

No mesmo dia, Xi Jinping conversou por telefone com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Segundo a agência Xinhua, os dois líderes discutiram o fortalecimento da parceria estratégica entre os países e destacaram a inteligência artificial como uma das áreas prioritárias para ampliação da cooperação.

Xi afirmou que China e Brasil devem aprofundar a coordenação bilateral e multilateral diante dos desafios internacionais e ampliar a construção da comunidade de futuro compartilhado entre os dois países.

O presidente chinês também defendeu maior articulação entre os integrantes do Sul Global e dos BRICS para fortalecer a governança internacional, incluindo a governança da inteligência artificial.

De acordo com a Xinhua, Lula afirmou que o Brasil pretende ampliar a cooperação com a China em setores como inteligência artificial, energia e recursos minerais, além de incentivar novos investimentos chineses no país.

O presidente brasileiro também elogiou a realização da Conferência Mundial de Inteligência Artificial de 2026, realizada na China, e afirmou valorizar a proposta chinesa de promover uma governança internacional “aberta e inclusiva” para a IA.

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Da Redação

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