Brasil é ágil em fazer data centers, mas tributos anulam vantagem, diz Fazenda
ReData busca corrigir distorção que encarece nuvem no país, apesar de diferencial energético. Governo defende incentivos com contrapartidas técnicas e ambientais.
O assessor especial da Secretaria-Executiva do Ministério da Fazenda, Igor Marchesini, afirmou nesta terça-feira, 19 de agosto, que o Brasil possui um dos ambientes mais rápidos do mundo para implantação de data centers — com prazos que alcançam 9 meses, em contraste com filas de 3 a 7 anos em outros países. Ainda assim, segundo ele, o país perde projetos globais por causa do custo tributário da infraestrutura digital.

“A gente tem um distúrbio, um desequilíbrio econômico no nosso regime tributária que faz com que o Brasil seja o lugar mais caro do mundo para se comprar servidores”, afirmou durante o segundo painel do V Simpósio TelComp 2025, em Brasília*. “A gente precisa antecipar os efeitos da reforma tributária para capturar esse investimento”, falou.
Incentivos com exigências técnicas
Marchesini detalhou os eixos do ReData, regime especial de incentivos fiscais para data centers e arquiteturas voltadas à inteligência artificial. O objetivo do programa é atrair investimentos globais, garantir sustentabilidade ambiental e capacidade de processamento reservada pra o Brasil.
O assessor lembrou que as big techs já anunciaram mais de US$ 392 bilhões em investimentos globais em infraestrutura de IA até 2026, mas o Brasil ainda não conseguiu atrair os projetos mais aavançados. Acrescentou que temos capacidade de fazer entregas mais rápidas, mão de obra qualificada e energia limpa. O que falta é um ambiente fiscal.
Setor privado: O timing é agora
Executivos presentes ao painel cobraram celeridade na tramitação do ReData. Para Marcos Siqueira, vice-presidente de operações da Ascenty, a demora pode comprometer a atração de novos projetos. “Estamos vendo players globais pularem o Brasil e irem direto para o México ou Colômbia. O timing é crucial. A hora de aprovar o ReData é agora.”
Fausto Morales, diretor executivo da ASAP Global Telecom, defendeu que a medida tenha valor permanente. “Queremos que o ReData vire política de Estado. Isso dá segurança jurídica para quem está pronto para investir.”
Christian “Kiko” Reis, Diretor na Luiza Labs, do Magazine Luiza, reforçou: “o menor custo unitário sempre ganha. Então, vale ganhar nesse espaço aqui, que é entender isso e empacotar no menor custo econômico”.
O secretário de Telecomunicações, Hermano Tercius, afirmou que o ReData está alinhado à política pública de infraestrutura digital em formulação no Ministério das Comunicações. “Temos visões técnicas complementares. O ReData é o passo certo na direção da eficiência”, disse.

