Resiliência vira eixo da cibersegurança em 2026, aponta Apura

Relatório da Apura indica que ainda invasões são inevitáveis, mas velocidade de detecção e recuperação vai ditar qualidade da resposta corporativa aos ataques

Imagem: freepik

A Apura Cyber Intelligence avalia que a resiliência operacional será o principal fator de diferenciação em cibersegurança nesta ano. Essa conclusão veio do relatório anual de ameaças da empresa, que analisa a evolução dos ataques registrados ao longo de 2025 e aponta limitações de estratégias focadas exclusivamente em prevenção.

Segundo o estudo, a ampliação da superfície de ataque e a maior organização dos grupos criminosos tornam inevitáveis as tentativas de invasão, exigindo das organizações capacidade de detecção, resposta e recuperação em prazos cada vez mais curtos.

“O cibercrime se adapta continuamente, e qualquer empresa que não acompanhe esse ritmo se torna alvo em potencial”, afirmou Anchises Moraes, especialista da Apura.

Expansão da superfície de risco

O relatório indica que os riscos não se limitam a vulnerabilidades técnicas isoladas. Entre os fatores destacados estão a dependência de terceiros, o uso de softwares compartilhados, o aumento do poder computacional disponível aos atacantes e a incorporação da IA para automatização de ataques. Segundo a empresa, esses elementos ampliam a exposição das organizações em velocidade superior à capacidade tradicional de defesa.

Além disso, ataques de ransomware passaram a ser conduzidos de forma mais direcionada. Em vez de campanhas massivas, grupos criminosos priorizam cadeias de suprimentos digitais, provedores de tecnologia e serviços considerados essenciais, nos quais períodos curtos de indisponibilidade geram impactos financeiros relevantes.

O relatório também aponta a reutilização de códigos por novos grupos e a rearticulação de organizações criminosas previamente desmanteladas. Em paralelo, ataques de negação de serviço distribuído (DDoS) atingiram volumes elevados, sendo utilizados tanto para extorsão quanto como etapa de distração para ataques mais complexos.

Imagem: Cloudflare | Relatório Apura

Cadeias de suprimentos e fator humano

As cadeias de suprimentos digitais são apontadas como um dos principais vetores de risco. Explorações de vulnerabilidades zero-day e o comprometimento de repositórios de código demonstraram que falhas em softwares amplamente utilizados podem afetar simultaneamente um grande número de organizações.

“As cadeias de suprimentos digitais se tornaram o elo mais vulnerável, pois uma única brecha pode se propagar de forma sistêmica”, afirmou Marco Romer, coordenador da Apura.

O fator humano também ganhou relevância em 2025. Segundo o relatório, colaboradores com acesso legítimo passaram a ser alvo prioritário de engenharia social, coerção ou aliciamento. O estudo cita casos no Brasil e no exterior envolvendo o uso indevido de credenciais e tentativas de vazamento de informações sensíveis.

Inteligência artificial e conflitos híbridos

A IA ocupa papel central tanto na defesa quanto no ataque. No campo defensivo, algoritmos de machine learning são empregados para identificar anomalias e automatizar respostas. No campo ofensivo, a Apura observa a disseminação de malwares adaptativos e campanhas de phishing mais elaboradas, exigindo estratégias que considerem aspectos técnicos e cognitivos das ameaças.

O relatório também destaca o aumento de ataques associados a conflitos híbridos e ações de hacktivismo contra infraestruturas críticas, ao mesmo tempo em que operações policiais internacionais resultaram na desarticulação de grupos de ransomware e mercados clandestinos digitais.

Prioridades para 2026

Para 2026, a empresa recomenda que organizações priorizem estratégias de resiliência. “A tentativa de invasão é inevitável. O diferencial será detectar rapidamente e recuperar com eficiência, sem paralisar as operações”, afirmou Anchises Moraes.

Segundo o relatório, políticas de cibersegurança devem incorporar, além da prevenção, mecanismos de adaptação contínua e resposta coordenada a incidentes, diante de um ambiente de ameaças em constante transformação.

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Adriano Camargo

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