Anatel identifica 540 mil empregos no setor de telecomunicações e radiodifusão

Estudo apresentado pela Anatel mostra que o Serviço de Comunicação Multimídia criou mais de 36 mil empregos entre 2021 e 2025; setor responde por cerca de 1% dos empregos formais do país.

O ecossistema de telecomunicações e radiodifusão encerrou 2025 com 540 mil vínculos formais de trabalho, segundo estudo apresentado nesta sexta-feira, 12, pelo conselheiro da Anatel Otávio Pieranti durante reunião do Conselho Diretor da agência. O levantamento mostra que a principal expansão do emprego ocorreu no Serviço de Comunicação Multimídia (SCM), segmento utilizado para a oferta de banda larga fixa.

De acordo com os dados, o setor possuía 518 mil vínculos formais em 2021. O número cresceu para 544 mil em 2024 e fechou o ano passado em 540 mil postos de trabalho. Segundo a Anatel, o ecossistema regulado representa aproximadamente 1% do total de vínculos formais existentes no Brasil.

O estudo foi elaborado pela Superintendência Executiva da agência com base em informações da Relação Anual de Informações Sociais (RAIS).

Banda larga impulsiona contratações

O levantamento mostra que o segmento de telecomunicações ampliou sua força de trabalho de 260.856 empregados em 2021 para 284.558 em 2025. Dentro desse grupo, o principal destaque foi o SCM.

O número de trabalhadores vinculados ao serviço passou de 96.219 para 132.612 no período, um crescimento de 36.393 postos formais em quatro anos. Segundo Pieranti, a expansão acompanha o aumento do número de prestadoras e a ampliação do acesso à internet no país.

O desempenho reforça o peso crescente dos provedores de banda larga fixa no mercado de telecomunicações brasileiro, especialmente fora dos grandes centros urbanos, onde os prestadores regionais ganharam participação nos últimos anos.

Telecom tem perfil mais jovem

O estudo também identificou diferenças relevantes entre os segmentos de telecomunicações e radiodifusão.

Nas telecomunicações, 72,2% dos vínculos formais estão concentrados em profissionais com até 39 anos. Já na radiodifusão, o perfil é mais envelhecido: 53,1% dos trabalhadores têm entre 30 e 49 anos, enquanto 28,8% possuem 50 anos ou mais.

Os números sugerem uma renovação mais intensa da força de trabalho nas atividades ligadas à conectividade e aos serviços de telecomunicações.

Mulheres ocupam 35% dos postos

O levantamento também aponta desequilíbrio de gênero no setor.

Segundo os dados apresentados, os homens ocupam 65% dos postos de trabalho do ecossistema de telecomunicações e radiodifusão, enquanto as mulheres representam 35% dos vínculos formais.

Ao comentar os resultados, Pieranti afirmou que as informações poderão servir de subsídio para discussões sobre políticas públicas e para o diálogo da agência com o mercado em temas relacionados à formação profissional, renovação geracional e participação feminina no setor.

Anatel volta a analisar mercado de trabalho

Durante a apresentação, o conselheiro observou que a Anatel havia deixado de acompanhar esse tipo de informação ao longo dos últimos anos e defendeu a importância do tema para a formulação de políticas públicas e para a atividade regulatória. Segundo ele, o estudo será disponibilizado no portal da agência.

“Com esse estudo, voltamos a olhar esse tema”, afirmou Pieranti ao apresentar os resultados.

O levantamento integra as atividades do Grupo de Trabalho de Acompanhamento da Implementação de Políticas Públicas (GTIPP), coordenado pelo conselheiro, que também vem consolidando indicadores relacionados à expansão da conectividade, cobertura móvel, escolas conectadas e programas de inclusão digital.

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Rafael Bucco

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