AGROtic 2025: IA, blockchain e satélites moldam fronteira do agro

Mesmo com IA, blockchain e satélites traçando os novos rumos do agronegócio brasileiro, ainda faltam incentivos de políticas públicas 

A digitalização do agronegócio passa por uma combinação de tecnologias como inteligência artificial (IA), blockchain, sensoriamento remoto via satélites e automação, mas enfrenta gargalos estruturais que vão da formação de mão de obra à conectividade rural.

O diagnóstico foi traçado no quarto painel do evento AGROtic 2025, organizado pelo Tele.Síntese e pela Exalctec, com apoio da Emerging International. O debate reuniu representantes da StarkSat Carbon Farming, Serpro, Venturus e da Esalq/USP. Painel destacou tecnologias para rastreabilidade, produtividade e mercado de carbono, com críticas à falta de infraestrutura digital e apoio público à inovação no campo.

Painel destacou tecnologias para rastreabilidade, produtividade e mercado de carbono, com críticas à falta de infraestrutura digital e apoio público à inovação no campo.
Painel destacou tecnologias para rastreabilidade, produtividade e mercado de carbono, com críticas à falta de infraestrutura digital e apoio público à inovação no campo.

Bernardo G. Arnaud, CEO da StarkSat, detalhou o desenvolvimento de uma tecnologia própria de auditoria de carbono no solo, baseada em algoritmos de redes neurais. “A gente começou por causa do monitoramento das lavouras, mas vimos que já tínhamos pronto um arcabouço para auditoria de carbono”, explicou. Segundo ele, a plataforma já é validada por órgãos da Alemanha, Itália e Espanha, e apresenta acurácia de até 98% na produtividade por hectare em soja, com custo até 80% menor que os métodos laboratoriais.

Arnaud também revelou os planos de lançar, até janeiro de 2027, uma constelação de seis nanossatélites com resolução de 5×5 metros para permitir cálculos quase em tempo real. “É o que vai nos permitir popularizar o uso da tecnologia inclusive para o pequeno produtor”, disse. O objetivo, afirmou, é democratizar o acesso a créditos de carbono e outros instrumentos financeiros ligados à sustentabilidade.

Serpro aposta em integração de dados e rastreabilidade

Bruno Ferreira Vilela, superintendente de negócios do Serpro, apresentou a plataforma Mapa Conecta, prevista para 2025, que irá integrar bases públicas e hubs de inovação voltados ao agronegócio. Segundo ele, o projeto é estratégico para garantir rastreabilidade de origem e conformidade com exigências como as da União Europeia, além de ser o principal instrumento de verificação territorial do Plano Safra 2025/2026.

“Hoje o produtor vai de balcão em balcão para resolver problemas fundiários e ambientais. Com a plataforma, ele terá um diagnóstico único da propriedade e saberá se está apto a exportar para determinados mercados”, afirmou. O Serpro também atua com programas de incentivo à inovação, como o Serpro Ventures, voltado a startups, e o programa de residência tecnológica recém-iniciado em IA, dados e cibersegurança.

Blockchain, solos e inovação aplicada

Marcelo Abreu, da Venturus, citou o projeto GeminiChain, que usa blockchain para rastrear o processo de clonagem de mudas de cana, em parceria com a startup Implante. “Não é só uma questão de royalties ou contaminação, mas de garantir a origem e a qualidade do material genético em larga escala”, explicou. Ele também mencionou o projeto Fertiliza, com a Embrapa Solos, que visa estruturar uma base nacional de dados para uso eficiente de fertilizantes.

Para Abreu, o sucesso de soluções tecnológicas no agro depende menos da tecnologia em si e mais da resolução de problemas concretos. “Hoje tem IA, blockchain, satélite. Amanhã vai ter outras. O foco tem que ser o problema”, defendeu.

Formação e democratização do agro digital

Representando a academia, o professor Roberto Fray da Silva, da Esalq/USP, destacou o papel das universidades na formação de profissionais capazes de atuar com tecnologias emergentes. “Nosso esforço é formar um agrônomo ou engenheiro florestal que entenda de sensores, IA e programação, para não apenas usar, mas também desenvolver soluções”, afirmou.

Ele alertou, no entanto, para o risco de exclusão dos pequenos produtores. “As tecnologias estão sendo pensadas para grandes propriedades. Se não forem adaptadas para peças mais baratas e manutenção local, não vão se sustentar”, disse. A baixa cobertura de redes 4G e 5G também foi apontada como entrave.

Apesar dos desafios, o painel indicou que a agricultura digital brasileira segue em evolução, com potencial de protagonismo internacional — desde que consiga conectar suas pontas: tecnologia, infraestrutura, políticas públicas e produtor rural.

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Da Redação

O Tele.Síntese nasceu em 2005. É fruto de mais de 20 anos de experiência jornalística nas áreas de Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC) e telecomunicações. Foi criada com a missão de produzir e disseminar informação sobre o papel das TICs na sociedade.

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