Unifique vai avaliar adoção do 5G antes de acelerar investimentos

Após Garuva (SC), empresa trabalha com a possibilidade de lançar operação móvel em outras duas cidades catarinenses ainda neste ano; aquisição de provedor também está no radar para 2023
Unifique vai definir estratégia de investimento em 5G com base nos resultados das primeiras ativações
Se houver forte adesão, Unifique pode acelerar os investimentos em 5G (crédito: Divulgação)

Às vésperas de estrear no setor de telefonia móvel, a Unifique indicou, nesta quinta-feira, 9, que pode lançar planos 5G em outras duas cidades catarinenses ainda neste ano, além de Garuva (SC), cuja ativação está marcada para este sábado, 11.

Em conferência com analistas e imprensa após a divulgação dos resultados do terceiro trimestre, Fabiano Busnardo, diretor-presidente da companhia, disse que “nos próximos 60 dias, 90 dias”, o 5G SA (standalone) da Unifique deve estar disponível em três cidades, cobrindo um território de 100 mil habitantes.

Por questões estratégicas, ele não revelou quais serão os próximos municípios contemplados com os planos de quinta geração móvel da operadora. No entanto, o executivo apontou que os resultados obtidos nas três primeiras cidades devem ditar o modo como a empresa vai investir no 5G.

“Estamos muito impressionados com a performance dessa tecnologia, mas precisamos entender se o mercado realmente vai demandar”, sinalizou. “Acho que pode ser um divisor de águas relevante para as operações da empresa”, complementou.

Na avaliação de Busnardo, neste momento, a companhia sai de um “piloto técnico” e entra em um “piloto comercial” da tecnologia móvel. Caso o 5G se revele um produto para atrair clientes, a Unifique deve pôr em prática um “plano de expansão audacioso se tivermos um bom resultado nessas primeiras investidas”, o que inclui o lançamento do serviço móvel em mais cidades no início de 2024.

O executivo, contudo, lembrou que, para que o usuário desfrute do 5G, precisa ter um smartphone com suporte à tecnologia. Desse modo, as vendas do plano vão depender “da disposição do cliente para ter um telefone com uma rede melhor”, indicou.

Além disso, a estreia da operadora no setor móvel ocorre somente no espectro destinado à quinta geração. Isto é, não conta com a possibilidade de fornecer conexão em 4G. “O nosso 5G vai ter que funcionar em todo lugar e muito bem, até porque não teremos 4G, ainda que isso possa ser um diferencial em relação à concorrência”, avaliou.

Do ponto de vista da estratégia comercial, Busnardo disse que a empresa vai investir na divulgação de pacotes que incluem banda larga fixa e móvel, ainda que os serviços possam ser contratados separadamente. Também salientou que a Unifique já tem um contrato de roaming com uma operadora, sem revelar a parceira.

“Acredito que, com a plataforma móvel, a empresa possa voltar a tempos de crescimento acelerado”, assinalou.

Investimentos e aquisições

Na conferência, o diretor Financeiro e de Relações com Investidores da Unifique, José Wilson, informou que a empresa tem R$ 250 milhões de crédito disponível para captação com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), além de R$ 300 milhões em debêntures incentivadas para o 5G.

“Se precisarmos fazer uma aceleração [do 5G], temos totais condições de fazer uma captação. Temos um cenário muito receptivo de bancos querendo nos disponibilizar crédito”, salientou.

Além disso, Wilson apontou que, após a aquisição da Naxi Telecomunicações no meio deste ano, a companhia pode fechar outro negócio ainda em 2023. O diretor ressaltou que a Unifique tem se posicionado no mercado como “consolidador”.

“Sobre M&As futuros, há processos de due diligence em andamento. Nesse exercício, ainda pode sair mais uma operação, estamos trabalhando para isso”, pontuou.

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Eduardo Vasconcelos

Jornalista e Economista

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