Telebras consulta mercado para definir o SGDC-2
Estatal busca propostas técnicas, estimativas de custos e modelos de parceria para sistema com capacidade civil de até 100 Gbps e comunicações militares nas bandas Ka e X

A Telebras iniciou uma consulta a fabricantes de satélites e integradores de sistemas para subsidiar a definição do Satélite Geoestacionário de Defesa e Comunicações Estratégicas 2 (SGDC-2). O pedido de informações, ou RFI, foi emitido em 15 de julho e prevê o recebimento das respostas até 15 de setembro de 2026.
A estatal quer obter informações técnicas, operacionais, industriais e comerciais sobre as soluções disponíveis no mercado. As contribuições serão usadas na elaboração dos requisitos da missão, do conceito de operações, da arquitetura do sistema e da estratégia de aquisição.
O documento ressalta que a consulta tem finalidade exclusivamente informativa. O RFI não representa compromisso de compra, contratação de produtos ou serviços nem abertura de processo competitivo.
Além das características técnicas, a Telebras solicita estimativas preliminares de custos para o segmento espacial, cargas úteis, infraestrutura terrestre, gateways, estações de telemetria, rastreamento e comando, lançamento, integração, testes, treinamento, operação, manutenção e suporte durante o ciclo de vida.
Capacidade civil e militar
O SGDC-2 é projetado como o componente geoestacionário soberano da arquitetura brasileira de comunicações estratégicas. O sistema deverá garantir a continuidade dos serviços prestados pelo primeiro SGDC e ampliar a capacidade destinada a usuários civis, governamentais e militares.
Para a missão civil em banda Ka, a Telebras prevê capacidade agregada entre 80 Gbps e 100 Gbps. O valor inicial poderá ser menor, com expansão progressiva conforme a demanda e as avaliações de mercado. O documento determina prioridade de recursos para a Região Norte, devido à dependência das comunicações por satélite e à menor disponibilidade de infraestrutura terrestre.
A cobertura deverá abranger todo o território brasileiro e a Amazônia Azul. Entre as aplicações citadas estão inclusão digital, geração e transmissão de energia, transportes, controle de tráfego aéreo, policiamento rodoviário, segurança alimentar, vigilância em saúde, operações financeiras e outros serviços públicos.
Na banda Ka militar, o requisito preliminar estabelece capacidade mínima de 20 Gbps. O sistema também deverá contar com uma carga útil em banda X para comunicações fixas e móveis de defesa. A Telebras ainda solicita estudos sobre a eventual inclusão de uma carga útil militar em UHF.
Um ou mais satélites
O SGDC-2 deverá operar na posição orbital de 57 graus Oeste. A arquitetura poderá utilizar um único satélite ou mais de uma espaçonave, a depender da relação entre custos e benefícios.
As empresas poderão apresentar alternativas para reunir ou separar as cargas úteis civis e militares. A configuração escolhida deverá preservar a propriedade, o controle, a operação e a prioridade soberana do Estado brasileiro.
O requisito básico considera vida operacional mínima de 15 anos. A Telebras, no entanto, também quer uma comparação com projetos de duração mais curta, como oito anos, que poderiam utilizar satélites menores e permitir atualizações tecnológicas mais frequentes.
O RFI pede ainda avaliações sobre propulsão elétrica, química e híbrida, quantidade e localização de gateways, uso das bandas Q e V nos enlaces de alimentação e integração futura com sistemas em órbitas geoestacionária, média e baixa.
Proteção e flexibilidade
Entre os requisitos estão mecanismos contra interferências e bloqueios de sinal, proteção eletrônica, segurança cibernética, telemetria segura e redundância dos sistemas de controle.
A Telebras também busca arquiteturas baseadas em padrões abertos, com menor dependência de um único fornecedor. O sistema deverá permitir a redistribuição dinâmica de capacidade entre feixes e a integração futura com outros satélites, terminais e infraestruturas terrestres.
O documento pede estudos sobre cargas úteis opcionais para posicionamento, navegação e tempo, observação da Terra, internet das coisas, retransmissão de dados e monitoramento do ambiente orbital nas proximidades do satélite.
Parcerias e transferência de tecnologia
As empresas deverão apresentar possibilidades de participação da indústria brasileira, transferência de tecnologia, treinamento de empregados da Telebras e cooperação com universidades e instituições de pesquisa.
A estatal também quer conhecer modelos para comercializar a capacidade civil que não estiver destinada prioritariamente ao governo ou à defesa. Entre as opções mencionadas estão contratos de longo prazo, pré-compra de capacidade, compartilhamento de receitas, acordos com clientes-âncora, coinvestimento e compromissos mínimos de receita.
Qualquer modelo comercial deverá manter subordinado o uso por terceiros às necessidades soberanas, à segurança nacional e à governança operacional da Telebras.
O cronograma estabelece 31 de julho para a assinatura do acordo de confidencialidade, 31 de agosto para o encerramento do período de perguntas e 15 de setembro para o envio das respostas. Após a análise, a Telebras poderá convocar participantes para workshops técnicos individuais.



