Telebit mira mercado de redes 5G privativas e data centers

Segundo Germano Quarta, CTO do grupo Telebit, a conectividade deixa de ser vista apenas como suporte para consumo de dados e passa a assumir papel mais estratégico para diferentes setores da economia

A Telebit esteve no Mobile World Congress 2026, em Barcelona, onde destacou sua estratégia de crescimento no Brasil com foco em inovação, redes 5G e infraestrutura de missão crítica de baixa latência. Com atuação já consolidada na Itália, o grupo vem transferindo ao mercado brasileiro competências desenvolvidas em projetos avançados de conectividade, especialmente em aplicações de missão crítica, redes móveis privativas e soluções voltadas à nova demanda de processamento associada à inteligência artificial.

Segundo Germano Quarta, CTO do grupo Telebit, a operação brasileira acompanha o DNA de inovação da companhia. A empresa vem atuando em parceria com as principais operadoras na implantação de novas redes 5G, em um momento em que a conectividade deixa de ser vista apenas como suporte para consumo de dados e passa a assumir papel mais estratégico para diferentes setores da economia.

Na visão do executivo, o avanço do 5G cria as bases para uma nova geração de aplicações, com impactos diretos sobre a indústria, grandes eventos, ambientes corporativos e operações que exigem estabilidade, velocidade e segurança. Para ele, essas redes viabilizam situações inovadoras e ampliam o potencial de uso da infraestrutura móvel em cenários mais complexos e exigentes.

Um dos destaques da Telebit é sua oferta para redes privativas 5G Standalone. A empresa desenvolveu soluções que permitem criar “bolhas privativas” de conectividade, com todos os atributos de uma rede móvel dedicada. A proposta atende ambientes em que confiabilidade, desempenho e proteção de dados são fatores críticos.

Esse conceito ganhou forma em um produto que a companhia chama de Rede Pop-Up. A solução foi criada para permitir implantação rápida de redes móveis locais em diferentes tipos de operação. “Temos vans, caminhões, que já têm tudo dentro. Apenas chegue, ligue, e uma rede móvel local é criada, com todas as características de uma rede móvel privada”, explicou Quarta.

A estrutura reúne capacidade, segurança, resiliência e recursos avançados do padrão 5G, como slicing e operação em banda não compartilhada. O objetivo é entregar conectividade robusta em cenários temporários ou de alta demanda, como eventos, operações especiais e ambientes corporativos que precisem de uma rede dedicada pronta para uso em curto prazo. Segundo o executivo, esse know-how já foi aplicado em projetos na Itália e agora começa a ser levado também ao mercado brasileiro.

Outro eixo estratégico apresentado pela Telebit é o desenvolvimento de soluções de edge data center. A leitura da empresa é que o avanço da inteligência artificial, tema central do MWC 2026, aumenta a necessidade de capacidade computacional distribuída e mais próxima do ponto de uso. Embora grandes data centers continuem essenciais, algumas aplicações exigem resposta em tempo real e, por isso, dependem de estruturas menores e descentralizadas.

Para a Telebit, essa arquitetura é especialmente relevante em aplicações baseadas em inferência, automação e controle em tempo real, nas quais a latência é determinante para o desempenho. A proposta é aproximar computação e conectividade, formando uma infraestrutura capaz de suportar serviços com micro-latência e alta eficiência operacional.

Quarta também ressaltou que esse movimento precisa vir acompanhado de preocupação com sustentabilidade. Em sua avaliação, a expansão da infraestrutura digital exige projetos energeticamente eficientes, capazes de responder ao aumento do consumo sem perder competitividade. “Deve ser um data center sustentável, isso é essencial”, afirmou. Segundo ele, essas estruturas precisam ser desenhadas, projetadas e construídas com critérios voltados à eficiência energética.

Com esse posicionamento, a Telebit reforça sua intenção de crescer no Brasil apoiada em duas frentes que ganham relevância no mercado: a evolução das redes privativas 5G e a descentralização da capacidade computacional para suportar aplicações de inteligência artificial e automação avançada. A empresa aposta na combinação entre experiência internacional, inovação aplicada e adaptação às demandas locais para ampliar sua presença no país nos próximos anos.

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