Telcomp propõe sandbox regulatório para resolver desordem nos postes
TelComp propõe sandbox regulatório para verificar viabilidade do modelo de posteiro responsável por limpeza, gestão e cessão de postes em cidades de 400 mil habitantes. Projeto foi debatido com parlamentares da delegação que foi ao MWC Barcelona 2025.
O presidente executivo da TelComp, Luiz Henrique Barbosa, defendeu a criação de um sandbox regulatório para o uso de postes no Brasil. A proposta foi apresentada ao longo do ano a interlocutores do setor de telecomunicações e de distribuição de energia elétrica, e oficialmente apresentado como opção para encerrar o impasse entre Aneel e Anatel a parlamentares que integraram a delegação brasileira que viajou ao MWC 2025, em Barcelona (Espanha) semanas atrás.
Barbosa deu os detalhes durante o evento Pós-MWC Barcelona 2025, organizado nesta quinta-feira, pela Futurecom. O objetivo, disse, é testar em ambiente controlado soluções técnicas e regulatórias que ajudem a organizar a infraestrutura compartilhada entre operadoras de telecomunicações e distribuidoras de energia.
Segundo Barbosa, a ideia do sandbox de postes é selecionar uma cidade com cerca de 400 mil habitantes e pelo menos 50 mil postes para implementação do projeto-piloto. O modelo incluiria tecnologias de inventário, fiscalização e cobrança inteligente, permitindo mapear o uso real dos pontos de fixação, identificar irregularidades e estimar os custos efetivos da operação.
“A proposta é medir de fato: ver se é 10%, 15% dos postes que precisam de limpeza total, se é só adequação, se é notificação. Entender quanto dinheiro está envolvido no mercado de postes e quanto disso pode ser revertido em organização”, afirmou Barbosa. Ele destacou que a medida pode contribuir para reduzir a assimetria de informações entre os atores envolvidos, uma das causas centrais dos conflitos atuais.
O executivo afirmou ainda que não há necessidade de novos recursos, já que os próprios valores arrecadados com a ocupação dos postes seriam suficientes para financiar o processo. “Não tem dinheiro novo. Se tiver dinheiro novo, a chance de judicializar é enorme”, alertou.
O conselheiro substituto da Anatel, Vinícius Caram, endossou a proposta e destacou a importância do sandbox como ferramenta para testar modelos, custos e soluções, além de diminuir a assimetria de informação entre os envolvidos. Segundo ele, o diálogo entre Anatel e Aneel sobre o tema está avançando.