Produção do setor eletroeletrônico caiu 14,9% em novembro

Dados consolidados até novembro mostram que produção do setor eletroeletrônico segue encolhendo no Brasil, sem sinais de reversão da tendência

(crédito: Freepik)

A produção do setor eletroeletrônico seguiu a tendência de baixa em novembro e encolheu 4,2% em relação outubro. A métrica está em linha com a projeção negativa da Abinee, de que haveria encolhimento de receitas em 2023. Ao comparar com a produção realizada em novembro de 2022, a queda foi de 14,9%, consequência do recuo de 22,4% na produção da área eletrônica e da diminuição de 8,7% da área elétrica.

O relatório da entidade para novembro mostra que o tombo mensal, sobre outubro, puxado pela queda de 6,5% na produção de bens da área eletrônica e recuso de 2,3% da área elétrica.

Com exceção do mês de março de 2023, cuja produção foi similar à registrada em março de 2022, todos os demais meses de 2023 apontaram resultados inferiores aos verificados em iguais períodos do ano anterior.

A Abinee informa que a queda na área eletrônica refletiu a seca na Amazônia. A produção na Zona Franca de Manaus de produtos de áudio e vídeo caiu 55,6% por causa da dificuldade para escoar a produção com a baixa do nível dos rios essenciais à navegação.

Ainda em relação à produção de bens da área eletrônica, foram registradas retrações na produção de instrumentos de medida (-16,0%), componentes eletrônicos (-15,8%), equipamentos de comunicação (-15,7%) e de equipamentos de informática e periféricos (-13,3%).

No acumulado do ano até novembro, a produção de eletroeletrônicos caiu 10,7%. A produção da indústria em geral cresceu 0,1% no mesmo período.

Segundo a Abinee, o empresário do setor permanece cauteloso, com preocupações referentes ao cenário interno e também quanto ao mercado internacional. “Essas inseguranças vêm limitando os investimentos, retraindo os negócios e o consumo, cujas consequências podem ser verificadas nos resultados negativos dos principais indicadores do setor”, diz a entidade.

Vale lembrar que o Banco Mundial reviu na última semana sua previsão de expansão da economia brasileira, alterando a projeção inicial de 1,2% para 3,1%. A melhora, no entanto, caso se confirme, virá em função do resultado do agronegócio, e não da indústria.

Ao longo do ano, houve queda de 36,7% na produção de componentes eletrônicos, “influenciada, principalmente, pela retração da demanda de alguns segmentos que utilizam componentes eletrônicos na sua atividade produtiva”, diz relatório da associação. A produção de equipamentos de comunicação caiu 13,5% até novembro, e a de bens de informática e periféricos, 9,6%.

A queda da produção não é novidade. Vem acontecendo sistematicamente desde o segundo semestre de 2021, sem sinais de recuperação. Segundo a Abinee, um dos motivos para queda na produção de celulares e bens de informática se deve à alta ocorrida em 2020, quando a população comprou novos produtos durante a pandemia de Covid-19.

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Rafael Bucco

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