Primeiro-ministro das Bahamas defende soberania de dados contra a colonização digital

Philip Davis abriu encontro regional de conectividade do Caribe nesta semana e defendeu candidatura própria das ilhas da região para o posto de subsecretário da UIT.

Philip Davis, primeiro-ministro das Bahamas

O Primeiro-Ministro das Bahamas, Philip Davis, abriu na segunda-feira, 14 de julho, a conferência CANTO 2025 com uma defesa da soberania digital dos países do Caribe. Em sua fala, Davis afirmou que a região vive uma nova forma de colonização — agora digital — marcada pela dependência de plataformas estrangeiras, pela perda de controle sobre dados nacionais e pela crescente desigualdade no acesso à tecnologia.

“Quando decisões que afetam nosso povo são tomadas por empresas distantes, reforçadas por algoritmos privados e julgadas em tribunais estrangeiros, não somos mais soberanos”, disse Davis. Ele alertou que essa dependência já compromete a capacidade de os países caribenhos protegerem sua população e manterem sua autodeterminação no mundo digital.

Investimentos em infraestrutura e formação são prioridade

O chefe de governo das Bahamas destacou que a transformação digital precisa ser acompanhada por investimentos concretos em infraestrutura e educação. “Nenhuma criança deve ficar para trás por falta de sinal, e nenhum negócio deve ser excluído do mercado por causa de onde está localizado”, afirmou.

O primeiro-ministro também criticou a adoção acrítica de modelos estrangeiros e plataformas externas, propondo que os países caribenhos construam suas próprias soluções digitais com base em seus valores, contextos e realidades.

Entre os exemplos de políticas públicas lideradas por seu país, Davis citou o lançamento do Sand Dollar — primeira moeda digital emitida por um banco central no mundo — e a aprovação do DARE Act, que estabeleceu um marco legal pioneiro para o setor de ativos digitais.

Cibersegurança, educação e regulação ganham destaque

Davis apontou que os riscos atuais não são apenas técnicos, mas institucionais. “A natureza do conflito moderno é silenciosa, digital e implacável”, afirmou, referindo-se a ameaças como crimes cibernéticos, manipulação de informação e vigilância não autorizada.

Ele defendeu a criação de centros regionais de capacitação, a reformulação dos sistemas educacionais para inclusão digital e a regulação de plataformas com base na legislação local. Segundo ele, garantir que os dados sejam armazenados sob jurisdição nacional é uma medida básica de proteção.

Candidatura à UIT concorre com Anatel

Ao final do discurso, Davis convidou os presentes a apoiarem a candidatura de Stephen Bereaux, atual diretor no ITU-D, para o cargo de vice-secretário-geral da União Internacional de Telecomunicações (UIT). Originário das Bahamas, Bereaux teria o papel, disse Davis, de reforçar a presença caribenha em organismos globais “para que os países da região não apenas sejam incluídos, mas ajam como protagonistas na formulação de regras digitais globais”, disse.

Vale lembrar que Carlos Baigorri, presidente da Anatel, lançou mês passado sua candidatura ao mesmo cargo. As escolha se dará na reunião de Plenipotenciários da UIT que acontece em 2026 no Catar.

Avatar photo

Rafael Bucco

Artigos: 5385