País pede economia neutra em CO2 e mais inclusiva

No painel sobre ESG do Digital Money Meeting, foi sugerido que governo, empresa, investidores, setor financeiro e sociedade civil se unam para superar o grande desafio da desigualdade social no país.
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Crédito: DMM

O Brasil será bem sucedido se tiver uma economia neutra em carbono e mais inclusiva e para isso governo, empresa, investidores, setor financeiro, sociedade civil precisam trabalhar em conjunto de forma a superar o grande desafio da desigualdade social que o país enfrenta hoje.

“Abaixo do Equador temos o desafio de incluir os NoHolders (excluídos) nos Shareholders e se houver um tecido econômico social robusto no país seremos capazes de enfrentar a transição para nova economia e sairmos fortalecidos”, afirmou Elias Sfeir, presidente da Associação Nacional de Bureau de Créditos (ANBC), durante o painel ESG e o impacto social na economia em 2022, que reuniu lideranças do setor ESG, durante o Digital Money Meeting, nesta quinta-feira, 26.

Para Bruno Caldas Aranha, diretor de crédito produtivo e socioambiental do BNDES, é importante as empresas trazerem para o centro de suas estratégias a questão do ESG e fazer uma reformulação de seu modelo de negócios para gerar sustentabilidade, ter acesso a recursos mais baratos e acesso a mais clientes.

A segurança alimentar do planeta foi considerada um dos pontos altos do debate e foi consenso entre os participantes que o Brasil é um dos poucos países que tem ainda áreas disponíveis para a agricultura, além de áreas degradadas que podem ser recuperadas para empreendimentos agrícolas.

Além de fornecer alimentos, o país tem um ativo natural enorme que são as florestas e a capacidade de aplicar tecnologia no campo para reduzir emissões de gases de efeito estufa, disse Marcelo Pimenta, head de agribusiness do Serasa Experian.

“Quem pode se beneficiar mais são os produtores familiares, que passam a ter uma renda para preservar a floresta, mas é preciso levar educação financeira e ambiental para que eles entendam e a via para fazer isso é a tecnologia”, avaliou Pimenta.

Segundo ele, a floresta em si é capaz de gerar 700 milhões de toneladas de créditos de carbono ao ano, sete vezes mais do que é negociado hoje como carbono voluntário.

Cada vez mais fundos de investimentos e instituições financeiras estão procurando a Serasa Experian para entender a elegibilidade dos projetos agropecuários que podem ser vinculados às iniciativas sustentáveis (papéis verdes), e como fazer o monitoramento socio-ambiental para garantir que aquele empreendimento de fato tenha uma pegada ambiental e que se mantenha em conformidade com a prática ESG.

Como evitar o greenwashing

Como entidade que congrega 110 instituições financeiras de pequeno e médio portes, a Associação Brasileira dos Bancos (ABBC) tem olhado com muita parcimônia a evolução do conceito de ESG no Brasil e no mundo, desde 2021, para criar uma cultura forte e robusta que leve os associados a se moverem pelo propósito, evitando cair no greenwashing, segundo Carolina Glayder Rabelo, diretora jurídica, ESG e Relações Legislativas da ABBC.

“Olhamos questão do social no ESG, que é muito difícil de ser feita, focando em educação financeira, além disso criamos um manifesto e um guia com as melhores práticas e já estamos vendo os associados aderirem ao conceito”, afirmou.

Na opinião de Renato Fiorini, gerente de soluções de risco da América Latina da SAS, o greenwashing só poderá ser evitado com uso intensivo de dados para fazer uma avaliação criteriosa, a partir de análises estatísticas feitas por meio de software, fazendo as medições e inferências. “A simulação dos dados permite que as empresas façam a previsão dos impactos causados pelas mudanças climáticas em suas operações e quais ações poderão ter para evitar emissões futuras”, observou.

Criada em junho de 2021, a Secretaria de Mudanças Climáticas do Município de São Paulo, está trabalhando em projeto de governança de dados para fazer o monitoramento de forma a oferecer segurança às empresas. Além disso, a Secretaria está desenvolvendo um trabalho em parceria com a Universidade Zumbi dos Palmares para checar a relação existente em mudanças climáticas e raça, assim como a questão do carbono e raça, segundo Paulo César de Carvalho Netto, representante da Secretaria.

 

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Redação DMI

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