OpenAI propõe exigências energéticas, auditoria e rastreabilidade para data centers de IA

Documento da empresa reúne sugestões de política pública e conformidade ligadas a energia, regulação, padrões de auditoria, governança e uso estatal de sistemas avançados de inteligência artificial.

A OpenAI divulgou um conjunto de propostas de política pública para a chamada “era da inteligência”, com medidas que atingem diretamente a operação e a conformidade de data centers voltados à inteligência artificial. O documento reúne sugestões de regulação, exigências de infraestrutura, mecanismos de auditoria e parâmetros de responsabilização para o avanço dos sistemas de IA.

Entre os pontos mais diretamente ligados aos data centers, a empresa afirma que essas estruturas devem arcar com seus próprios custos de energia, sem repasse para residências, e que sua instalação deve resultar em empregos locais e arrecadação tributária. O texto registra a preocupação pública com o efeito desses empreendimentos sobre comunidades e preços de energia, e propõe que governos tratem esse ponto desde já.

Energia e expansão da infraestrutura

A OpenAI também propõe acelerar a expansão da rede elétrica para sustentar a demanda da IA. Para isso, sugere novos modelos de parceria público-privada para financiar infraestrutura energética, com foco em transmissão interestadual e inter-regional, redução de entraves de licenciamento e mitigação de riscos de localização dos projetos. O documento menciona instrumentos como créditos de investimento, subsídios diretos e indiretos, participação societária e remoção de barreiras a tecnologias como condutores avançados e transmissão em corrente contínua de alta tensão.

Segundo a proposta, essas parcerias deveriam ser estruturadas para limitar a exposição do contribuinte a perdas comerciais e, ao mesmo tempo, garantir que a expansão da infraestrutura energética resulte em menores custos de energia para famílias e empresas.

Auditoria, padrões e controles para sistemas avançados

No campo de conformidade, a OpenAI defende o fortalecimento de instituições encarregadas de desenvolver padrões de auditoria para riscos em IA. O documento sugere criar e escalar um mercado competitivo de auditores e avaliadores, apoiado por compras públicas, compromissos antecipados de aquisição, estruturas de seguro e definição de padrões técnicos.

A proposta prevê que, à medida que os sistemas avancem, um conjunto restrito de modelos altamente capazes, especialmente aqueles com potencial de ampliar riscos químicos, biológicos, radiológicos, nucleares ou cibernéticos, possa ficar sujeito a controles mais rigorosos, incluindo auditorias antes e depois da implantação. O texto acrescenta que essas exigências deveriam se concentrar em poucas empresas e nos modelos mais avançados, sem atingir todo o ecossistema de sistemas menos potentes.

Rastreabilidade, governança e resposta a incidentes

Outro eixo do documento é a criação de uma “camada de confiança” para IA, com padrões de procedência, verificação, registros preservadores de privacidade e sistemas de auditoria capazes de apoiar investigação e responsabilização. A proposta inclui assinaturas verificáveis para ações realizadas por sistemas de IA, além de mecanismos de logging e trilhas de auditoria.

A OpenAI também sugere mecanismos formais para comunicação de incidentes, uso indevido e quase-incidentes a uma autoridade pública designada, com divulgação pública em escopo delimitado. No plano corporativo, defende estruturas de governança alinhadas ao interesse público, proteção contra captura interna e segurança reforçada para pesos de modelos e infraestrutura de treinamento.

Regras para uso governamental e coordenação internacional

Para o uso estatal da IA, o texto propõe regras legais específicas, com padrões mais altos de confiabilidade, alinhamento e segurança. Também sugere modernizar instrumentos de transparência para permitir escrutínio de decisões públicas assistidas por IA, inclusive com retenção de registros de interação e ação automatizada quando cabível.

No plano internacional, a OpenAI propõe ampliar o compartilhamento de informações sobre capacidades, riscos, avaliações e mitigações, com uma rede de institutos de IA e protocolos comuns para troca de dados e coordenação em crises.

Aqui o documento na íntegra.

Avatar photo

Rafael Bucco

Artigos: 5420