Mesmo com 6 GHz liberado, uso do Wi-Fi na faixa é de apenas 0,1% no Brasil e América Latina
Estudo da Ookla aponta que a região avançou na regulamentação do espectro para Wi-Fi, mas a adoção de equipamentos compatíveis com as tecnologias mais recentes ainda é limitada.

A América Latina continua avançando na migração para redes Wi-Fi mais modernas, mas o uso da faixa de 6 GHz permanece praticamente residual, apesar da adoção regulatória já realizada em diversos países da região, incluindo o Brasil. Dados divulgados pela Ookla mostram que apenas 0,1% das conexões Wi-Fi registradas na região no primeiro trimestre de 2026 utilizavam a faixa de 6 GHz. No Brasil, o índice é o mesmo, de 0,1%.
O levantamento, baseado em medições realizadas por smartphones Android por meio da plataforma Speedtest, indica que a principal razão para essa baixa utilização não é regulatória, mas comercial. Segundo a empresa, a adoção do espectro ainda depende da renovação dos roteadores instalados nas residências e da disseminação de dispositivos compatíveis com Wi-Fi 6E e Wi-Fi 7.
Enquanto isso, a faixa de 5 GHz consolidou-se como a principal plataforma de conectividade sem fio da região. No primeiro trimestre de 2026, ela respondeu por 63,3% de todo o tráfego Wi-Fi medido pela Ookla, ante 46,1% observados em 2022. Já a participação da faixa de 2,4 GHz caiu de 53,9% para 36,5% no mesmo período.
Para a Ookla, o principal desafio para a expansão global do Wi-Fi 7 não está mais nos smartphones, mas nos equipamentos de rede instalados nas residências. O estudo aponta que 61,4% dos dispositivos Android utilizados nos testes já são compatíveis com Wi-Fi 6 ou tecnologias superiores. Por outro lado, o custo crescente de componentes eletrônicos, pressionado pela demanda mundial por infraestrutura de inteligência artificial, pode retardar a renovação dos roteadores e prolongar o ciclo de adoção das novas gerações de Wi-Fi.
Wi-Fi 6 cresce, mas Wi-Fi 7 ainda não decola
O estudo mostra que a modernização das redes domésticas na América Latina ocorre de forma gradual.
Em 2022, o padrão Wi-Fi 4 representava 57% das conexões observadas na região. Quatro anos depois, essa participação caiu para 36%. Em contrapartida, o Wi-Fi 5 tornou-se a tecnologia dominante, alcançando 52% das conexões registradas. O Wi-Fi 6 avançou de apenas 1% para 13% das amostras coletadas.
Já o Wi-Fi 7 permanece praticamente inexistente na região. A Ookla informa que o número de conexões registradas nessa tecnologia ainda é insuficiente para gerar impacto estatístico relevante na participação de mercado latino-americana.
Globalmente, o cenário é semelhante. O Wi-Fi 7 respondeu por apenas 1,8% das amostras coletadas no primeiro trimestre de 2026. O Wi-Fi 6 alcançou 26,7%, enquanto Wi-Fi 5 e Wi-Fi 4 representaram 38,3% e 33,2%, respectivamente.
Faixa de 6 GHz é estratégica para o Wi-Fi 7
A importância da faixa de 6 GHz está diretamente associada à evolução do Wi-Fi 7. Segundo a Ookla, essa tecnologia foi desenvolvida para operar simultaneamente nas bandas de 2,4 GHz, 5 GHz e 6 GHz, mas obtém seu maior ganho de desempenho justamente nesta última.
A faixa permite canais de até 320 MHz, o dobro da largura disponível nas gerações anteriores, além de possibilitar velocidades teóricas de até 46 Gbit/s. Outra característica relevante é o suporte à operação multilink (MLO), recurso que permite que um dispositivo utilize diferentes bandas simultaneamente para reduzir interferências e aumentar a estabilidade da conexão.
A pesquisa destaca que a adoção global do 6 GHz permanece fragmentada. Enquanto países como Estados Unidos, Canadá e Arábia Saudita destinaram toda a faixa de 1.200 MHz para uso não licenciado, outras regiões seguem caminhos diferentes. A China, por exemplo, reservou integralmente o espectro para aplicações móveis futuras, incluindo o desenvolvimento do 6G. No Brasil, 700 MHz vão para redes celulares, e 500 MHz estão disponíveis para o Wi-Fi indoor.
América do Norte lidera adoção
A América do Norte aparece como a região mais avançada na utilização do novo espectro.
O uso da faixa de 6 GHz passou de 2,2% das conexões em 2024 para 13,8% em 2026. O crescimento foi impulsionado pela disponibilização de roteadores compatíveis pelos provedores de banda larga e pela ampla oferta de equipamentos Wi-Fi 7 nos planos de maior velocidade.
Nos Estados Unidos, o Wi-Fi 6 representa 57,5% das conexões analisadas e o Wi-Fi 7 alcança 7,2%. No Canadá, os indicadores seguem trajetória semelhante.




